Rafael estava terminando a ligação com o delegado Herrera quando Esteban entrou sem bater.
— Fala, Esteban.
— Chegou isso no portão dos fundos — levantou um envelope plástico. — Endereçado para a senhora Ríos. Levei direto para a doutora Ingrid. Ela leu, guardou o original e mandou trazer as fotos para o senhor.
Rafael pegou o celular. Viu a foto de uma das vítimas atrás de um balcão com tequila Villalba, depois a imagem de um bar simples, e por fim o bilhete manuscrito.
Leu devagar:
“Falta a mãe do herdeiro. Quando ela sair desse quarto, eu termino o que vocês começaram anos atrás.”
Sentiu o estômago contrair.
— Quem mais viu isso?
— Só eu, a doutora e a senhora Camila — Esteban respondeu. — Ela fez questão de ler.
— Como ela reagiu?
— Ficou com raiva — disse. — Falou que não vai ser a próxima.
Rafael tornou a olhar o bilhete.
— Isso não veio de curioso — murmurou. — “O que vocês começaram anos atrás” é alguém falando de dentro. Da queda do pai dela, do conselho, das demissões.
— E a