CAPÍTULO 147

Camila fingia que lia, mas os olhos só corriam pelas linhas. A porta se abriu e Rafael entrou ainda de terno, a gravata afrouxada, o rosto marcado por cansaço e irritação.

— Finalmente — ela disse. — Achei que ia voltar só amanhã.

— Se ficasse mais um dia longe, enlouquecia. — Ele trancou a porta, largou o paletó na poltrona. — Como você está?

— Eu estou bem. O bebê também. — Camila pousou a mão na barriga. — Quem não está bem é o teu sobrenome na televisão.

Ele se aproximou e sentou na beira da cama.

— Eu vi a cobertura no carro. E vi o que fizeram com o seu nome. — Respirou fundo. — Hoje eu dei um passo que não tem volta.

— Qual?

— Rompi com o escritório que alimentou a denúncia, pedi auditoria interna com meu nome na frente e avisei ao conselho que, se continuarem usando você como escudo, caem comigo.

Camila o encarou.

— Isso pode te custar a presidência.

— Pode. — Ele deu de ombros. — Mas não vou segurar cadeira pisando em você.

— Eu não quero ser a razão de você perder tudo.

— Vo
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