Camila fingia que lia, mas os olhos só corriam pelas linhas. A porta se abriu e Rafael entrou ainda de terno, a gravata afrouxada, o rosto marcado por cansaço e irritação.
— Finalmente — ela disse. — Achei que ia voltar só amanhã.
— Se ficasse mais um dia longe, enlouquecia. — Ele trancou a porta, largou o paletó na poltrona. — Como você está?
— Eu estou bem. O bebê também. — Camila pousou a mão na barriga. — Quem não está bem é o teu sobrenome na televisão.
Ele se aproximou e sentou na beira da cama.
— Eu vi a cobertura no carro. E vi o que fizeram com o seu nome. — Respirou fundo. — Hoje eu dei um passo que não tem volta.
— Qual?
— Rompi com o escritório que alimentou a denúncia, pedi auditoria interna com meu nome na frente e avisei ao conselho que, se continuarem usando você como escudo, caem comigo.
Camila o encarou.
— Isso pode te custar a presidência.
— Pode. — Ele deu de ombros. — Mas não vou segurar cadeira pisando em você.
— Eu não quero ser a razão de você perder tudo.
— Vo