Rafael entrou na sala de reuniões sabendo que aquele chão já conhecia o peso dos passos dele. Não era dia de balanço, era de acerto de contas.
A mesa oval estava quase cheia. Esteban folheava uma pasta. Dois conselheiros cochichavam. Arturo ajeitava a gravata.
— Finalmente — Arturo comentou. — Achei que tivesse se escondido atrás dos seus advogados.
Rafael puxou a cadeira de sempre e sentou.
— Se eu me escondesse, você não teria com quem brincar. Vamos direto ao ponto.
Esteban colocou os papéis no centro.
— O escritório de comunicação que alimentou a denúncia anônima trabalha há anos com o conselho. — Ele indicou as folhas. — Aqui estão contratos e mensagens mandando associar o nome Villalba ao medo em Jalisco.
Um conselheiro pigarreou.
— Esteban, não é prudente…
Rafael o cortou com um olhar.
— Prudente é deixar usarem o nome da minha noiva, grávida, como isca? Prudente é ver o sobrenome desta empresa em manchete ao lado de duas mulheres mortas?
Arturo abriu um sorriso que não chegava