O quarto ainda cheirava a pele aquecida, a lençol amassado e a um descanso que eles não se permitiam havia tempo demais. A cortina deixava entrar uma faixa de luz morna, fina, que atravessava parte da cama e recortava o contorno das pernas de Camila sob o lençol, a barriga arredondada erguendo o tecido como um pequeno morro no meio do caos. A cama estava um desastre: travesseiros fora do lugar, cobertor pela metade no chão, camisa de Rafael jogada em cima da poltrona, vestido dela esquecida aos pés da cama.
Camila acordou primeiro, não porque estivesse completamente descansada, e sim porque o menino parecia ter decidido começar o dia lembrando a todos que estava ali. Sentiu o chute interno, forte o bastante para fazer o lençol mexer, e levou a mão até a barriga, acariciando o lugar exato em que tinha sentido o movimento.
— Bom dia, pequena máquina de terremotos — murmurou, numa voz baixa que não pretendia acordar ninguém.
Atrás dela, o peso do braço de Rafael ainda a envolvia, preso n