CAPÍTULO 106 — DESEJO

Os dias seguintes à madrugada no hospital se encaixaram num ritmo estranho, meio suspenso, como se alguém tivesse apertado um botão de pausa na vida de Camila enquanto o resto do mundo continuava a correr lá fora. A Hacienda seguia funcionando, caminhões entravam e saíam carregando caixas, o campo mantinha o mesmo verde-azulado de sempre, relatórios continuavam a ser enviados para o e-mail de Rafael, mas, para ela, o perímetro aceitável tinha encolhido até caber em poucos cenários: o quarto, a varanda lateral, a sala de TV, às vezes a cozinha, quando Ingrid insistia que caminhar até lá devagar era permitido.

A médica havia sido clara na alta: repouso reforçado, nada de deslocamentos desnecessários, nada de discussões que subissem demais o nível de adrenalina, nada de transformar o celular em prolongamento da guerra. Em compensação, tinha repetido, duas ou três vezes, que repouso não era sinônimo de imobilidade total e que o corpo, se fosse tratado apenas como porcelana, também reagiri
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