Quando a caminhonete cruzou novamente os portões da Hacienda, as luzes da casa já desenhavam um contorno firme contra o escuro do fim de tarde, como se o próprio prédio tivesse sido recortado para manter de pé quem vivia ali dentro. Camila observava tudo pela janela com um olhar diferente do que tinha na ida. No começo do dia, sair de casa parecia apenas mais um item inevitável na rotina de exames e consultas. Agora, depois de horas de monitor, medicação e palavras como “ameaça de parto prematuro” ecoando na cabeça, atravessar de volta aquele mesmo caminho trazia uma sensação de retorno a território que, de repente, ficou mais precioso.
Rafael não soltou a mão dela em nenhum momento desde que deixaram o hospital, como se aquele gesto simples fosse a garantia física de que o que tinham acabado de ganhar em tempo não se esvairia no trajeto de volta. Quando o motorista estacionou perto da entrada principal, ele desceu primeiro, contornou o carro e ofereceu o braço com a mesma objetividad