A manhã seguinte amanheceu silenciosa na mansão Miller. Elizabeth observava Bridget do alto da sacada, enquanto a jovem, em silêncio, cuidava das flores do jardim, como se aquele momento com a natureza fosse sua forma de encontrar paz. Elizabeth desceu e se aproximou. — Você sempre gostou de flores? — perguntou gentilmente, sentando-se no banco de pedra ao lado. — Sempre. — Bridget respondeu sem tirar os olhos das tulipas. — Elas não julgam, não mudam de opinião de uma hora pra outra... só crescem em silêncio. Elizabeth sorriu com tristeza. — Sabe... quando Andrew te apresentou como esposa, eu pensei: “Finalmente meu filho acertou.” Eu vi luz nos olhos dele, coisa que nunca vi com Laura. E agora... parece que essa luz se apagou. Bridget suspirou, contendo as lágrimas. — Ele está cego, Elizabeth. E eu cansei de tentar provar algo que é óbvio. Ele escolheu acreditar no que convém. Elizabeth segurou a mão dela. — Meu coração está dividido, Bridget. Entre a amizade que sempre ti
A noite caiu silenciosa, mas o coração de Andrew batia com fúria contida. Cada detalhe, cada suspeita, cada memória embaralhada parecia apontar para algo que ele se recusara a ver: havia uma armadilha ao seu redor. E tudo começava com Laura.Ao chegar à clínica, ele foi direto ao quarto dela. A enfermeira tentou intervir, mas Andrew apenas disse, firme:— Eu só preciso de cinco minutos.Laura estava sentada na poltrona, com um livro no colo, mas o olhar perdido. Quando viu Andrew entrar, forçou um sorriso frágil.— Amor... que surpresa boa... — disse com a voz baixa.Andrew fechou a porta e ficou em silêncio por alguns segundos, até tirar o bilhete do bolso.— Precisamos conversar.Laura franziu a testa, fingindo confusão.— Claro... o que houve?Ele ergueu o bilhete.— Você sabe o que é isso.Ela arregalou os olhos, pondo a mão no peito, simulando surpresa.— Foi aquele bilhete horrível... com o buquê... eu fiquei tão mal com aquilo, Andiie... — sua voz tremeu — eu chorei tanto... fo
Bridget mal conseguia respirar. O rosto ainda ardia, e o gosto metálico do sangue insistia em seu paladar. Estava caída ao chão da sala, sem forças para se levantar. Seus olhos marejados focaram nas botas pretas diante dela — Maxwell. — O que você fez?! — Maxwell rugiu, com as mãos cerradas em punhos. — Está louco, Andrew? Andrew, com o peito arfando, virou-se lentamente. Ainda tremia de raiva. — Fica fora disso, Maxwell. Isso é entre ela e eu! — Entre você e ela? — Maxwell avançou com brutalidade, empurrando Andrew com força contra a parede. — Ela é sua esposa! ou melhor sua ex esposa, seu imbecil! Você está fora de si? Bridget tentou levantar, mas fraquejou. Foi Elizabeth quem chegou correndo, amparando-a com os olhos cheios de choque. — Bridget, meu Deus... — Elizabeth levou a mão à boca, horrorizada. — Maxwell, o que aconteceu? — Pergunte ao seu filho! — Maxwell gritou, voltando-se com ódio para Andrew. — Ele a espancou porque acreditou numa mentira! Antes que Elizabeth pu
ridget estava sentada na poltrona do quarto, olhando fixamente pela janela. O curativo no braço latejava, mas a dor física era pequena perto da confusão dentro de si. Maxwell, sentado próximo a ela, lia uma revista qualquer, mas seus olhos voltavam para ela a cada minuto. Ele estava inquieto.Foi então que o celular de Bridget vibrou. Era uma ligação da vovó Nívea. Ela hesitou, mas atendeu.— Alô?— Minha menina... — A voz idosa soou do outro lado, suave, mas carregada de preocupação. — Acabei de saber que você foi ao hospital. O que aconteceu?Bridget engoliu em seco.— Nada grave, vovó. Foi só uma febre — Bridget, não se esqueça do nosso combinado. Você prometeu ficar seis meses com os Miller. Não desista agora, por mais difícil que pareça. Eu preciso que você cumpra isso.Bridget ficou em silêncio por um instante. Lembrou da fragilidade da avó, das últimas consultas médicas e do quanto ela parecia se apegar àquele plano como uma última esperança de colocar algo no lugar.— Está be
A notícia ainda reverberava no peito de Andrew quando ele saiu do hospital. O teste de gravidez de Laura havia dado positivo. A médica confirmou com segurança, e Laura, com um sorriso frágil, segurou sua mão como quem pedia por estabilidade. Na cabeça dele, a confusão era um turbilhão. Um filho. Um novo começo? Uma segunda chance? Ou mais uma armadilha de um destino irônico? Ele não quis pensar muito. Precisava contar à sua mãe. Talvez ela, com seu jeito firme e sensato, o ajudasse a colocar os pensamentos em ordem. Na mansão Miller, Elizabeth tomava um chá na varanda, o sol da tarde aquecendo a pele e o coração ainda apertado pelo que havia acontecido com Bridget. Quando Andrew entrou, ela o reconheceu no mesmo instante. Não pelo som dos passos, mas pelo ar denso que o acompanhava. — Mãe... preciso te contar uma coisa — ele disse, parando diante dela. Elizabeth ergueu os olhos, ainda magoados. — Isso tem a ver com a Bridget? Andrew balançou a cabeça, com pesar. — É sobre a La
A noite chegou silenciosa, trazendo com ela um ar mais ameno e íntimo no loft de Maxwell. Camila e Vitória já haviam ido embora, deixando Bridget sozinha, finalmente podendo respirar um pouco depois de tanto caos. Ela se recostou no sofá com uma manta sobre as pernas e os olhos fixos na lareira acesa. O calor da madeira queimando, o estalo suave do fogo… tudo parecia contrastar com o que seu corpo ainda sentia — as dores, os roxos, o cansaço emocional.Maxwell entrou na sala com duas canecas de chá fumegante. Entregou uma a ela com um meio sorriso gentil, e então sentou-se ao lado.— O silêncio está melhor agora… — ele disse, olhando para o fogo.— Eu precisava disso… um pouco de paz.— Você merece mais que paz, Bridget. Você merece alguém que cuide de você com respeito… e amor.Bridget desviou o olhar, sentindo o coração apertar. A presença de Maxwell era sempre suave, mas naquele momento, havia algo diferente. Um calor no ar que não vinha apenas da lareira.Ela deu um gole no chá, h
As duas semanas no loft de Maxwell passaram rápido, mais rápido do que Bridget gostaria. Estar ali, cuidada, cercada pelo carinho dele e pelo apoio das amigas, havia sido como um bálsamo para as feridas que ela carregava — tanto no corpo quanto no coração. Mas o combinado era claro: ela deveria retornar à Mansão Miller para cumprir o acordo com sua avó Nívea. E, por mais que o medo ainda latejasse em sua alma, Bridget sabia que precisava ser forte. Naquela tarde, Maxwell a ajudou a colocar as malas no carro. Ele não dizia muito, mas o olhar dele falava por si: preocupação, saudade antecipada e uma pontinha de culpa por deixá-la voltar. — Tem certeza disso? — ele perguntou, encostado na porta do carro, antes de deixar que ela entrasse. Bridget sorriu, um sorriso sereno, mas ainda triste. — É só até o prazo terminar, Max. Eu prometo que vou me cuidar. Ele ajeitou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha, o toque leve, cheio de carinho. — Qualquer coisa… Qualquer coisa mesmo, é só
Assim que a sobremesa foi servida e todos estavam distraídos conversando sobre trivialidades, Bridget discretamente se levantou da mesa.Ela precisava de ar.Saiu pela porta lateral que dava acesso ao imenso jardim da mansão Miller, onde o aroma suave das rosas e jasmins se misturava à brisa fresca da noite.As luzes externas, discretas e amareladas, desenhavam sombras longas no gramado impecavelmente cortado.Bridget caminhou devagar, abraçando a si mesma, sentindo o frescor da noite tocar sua pele.A tensão que havia pairado no jantar ainda pesava em seus ombros.Respirou fundo, tentando se acalmar.— Fugindo da selva, princesa? — disse uma voz suave às suas costas.Ela se virou e encontrou Maxwell encostado na moldura da porta, observando-a com aquele sorriso de canto que parecia enxergar sua alma.— Apenas... precisava de um pouco de ar. — Bridget respondeu com sinceridade, olhando para as estrelas que começavam a brilhar no céu limpo.Maxwell se aproximou devagar, respeitando o e