Mundo de ficçãoIniciar sessão
Capítulo 1
passei dezessete anos construindo a minha própria vida. Não era uma vida perfeita. O apartamento era pequeno, o dinheiro vivia contado e, muitas vezes, eu precisava escolher entre comprar alguma coisa que queria ou pagar uma conta que não podia esperar. Mas era minha. Cada conquista tinha sido fruto do meu esforço. Cada cicatriz carregava uma história, e cada sorriso tinha sido conquistado sem depender de ninguém. Então um exame de DNA apareceu para destruir todas as certezas que eu tinha. Descobri que havia sido sequestrada ainda bebê. Descobri que as pessoas que me criaram nunca foram meus pais biológicos. Descobri também que existia uma família que passou dezessete anos procurando por mim. E, de repente, eu tinha um sobrenome, uma mansão e uma fortuna. Engraçado... Ninguém perguntou se eu queria aquilo. O carro parou diante de um enorme portão de ferro. Atrás dele havia uma propriedade que parecia não ter fim. Jardins impecáveis, fontes espalhadas pelo caminho, árvores perfeitamente alinhadas e, ao fundo, uma mansão branca que parecia ter saído de um filme. Observei tudo em silêncio. Era bonita. Muito bonita. Mas continuava sendo apenas uma casa. Dinheiro nunca me impressionou. O que realmente me interessava nas pessoas não podia ser comprado. Minha mãe biológica segurou minha mão. Ela respirava fundo, tentando controlar a emoção. Mãe: — Você não precisa ficar nervosa. Olhei para ela e sorri de leve. Luana: — Eu não estou nervosa. Ela pareceu surpresa. Mãe: — Então o que está sentindo? Voltei a olhar para a mansão. Luana: — Curiosidade. Era verdade. Eu não estava entrando ali para ganhar uma família, dinheiro ou uma nova vida. Só queria descobrir de onde tinha vindo. O resto... Eu construiria sozinha. O portão começou a se abrir. Não parecia apenas uma entrada. Naquele momento, tive a sensação de que estava diante do começo de uma história que eu não havia escolhido viver. Assim que descemos do carro, a porta principal da mansão se abriu. Uma jovem saiu apressada. Loira, elegante e linda. O sorriso parecia sincero enquanto descia os degraus quase correndo. Quando parou diante de mim, seus olhos estavam marejados. Sem dizer uma palavra, ela me abraçou. Fiquei imóvel durante alguns segundos antes de finalmente retribuir. Ela respirou fundo ao se afastar. Camila: — Finalmente... A voz falhou. Camila: — Eu esperei tanto por esse dia. Sorri educadamente. Ainda era estranho chamar aquela mulher de irmã. Ela segurou minhas mãos. Camila: — Você é ainda mais bonita do que imaginei. Olhei diretamente para seus olhos. Foi então que percebi algo. Enquanto o sorriso transmitia carinho, os olhos me estudavam, como se tentassem descobrir quem eu era ou, talvez, quanto perigo eu representava. Foi apenas um instante. Logo ela voltou a sorrir. Talvez eu estivesse imaginando coisas. Talvez não. Camila: — Vem. Todo mundo quer conhecer você. Subimos a escadaria. Antes de entrar na mansão, senti alguém me observando. Levantei os olhos. Um homem estava parado próximo à porta, com as mãos nos bolsos e uma postura aparentemente relaxada. Havia alguma coisa nele que chamava atenção. Não era apenas beleza. Era presença. Enquanto todos demonstravam emoção, ele permanecia em silêncio, observando como alguém acostumado a analisar tudo antes de agir. Camila percebeu para onde eu olhava e sorriu. Camila: — Luana... este é o Matheus. Meu noivo. Ele caminhou até nós sem pressa. Não havia arrogância em seus movimentos, tampouco aquele sorriso ensaiado que eu já tinha visto em tantos homens. Estendi a mão. Luana: — Prazer. Ele segurou minha mão. O aperto foi firme e respeitoso, enquanto seus olhos permaneceram presos aos meus por alguns segundos, como se tentasse encontrar alguma resposta. Matheus: — O prazer é meu. Foi só isso. Nenhum elogio. Nenhuma cantada. Nenhuma tentativa de me impressionar. Gostei disso. Soltei sua mão primeiro e continuei andando. Não percebi que ele permaneceu parado, me observando. Entrei na mansão sem olhar para trás. Naquele momento, eu tinha apenas uma certeza. Não importava o tamanho daquela casa ou quanto dinheiro aquela família tivesse. Nada daquilo mudaria quem eu era. Eu não precisava de um sobrenome para descobrir meu valor, muito menos de um homem para decidir meu futuro. Se eu fosse construir alguma coisa dali em diante, seria com as minhas próprias mãos. Porque ninguém... Nunca... Conduziria a minha vida por mim.






