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Capítulo 10 — Mais Perto

Capítulo 10 — Mais Perto

A segunda-feira começou como qualquer outra na Beaumont Holding.

Às oito da manhã, Maya já organizava a agenda de visitantes.

Cumprimentava funcionários.

Recebia fornecedores.

Orientava clientes.

Em poucos dias…

Já fazia parte da rotina da empresa.

— Bom dia, senhor Carlos.

A reunião é no vigésimo andar.

— Obrigado, Maya.

Ela sorriu.

— Disponha.

Patrícia observava tudo à distância.

Era impressionante.

Parecia que Maya conhecia aquele lugar havia anos.

No último andar…

Nicolas encerrava mais uma reunião.

Assim que os diretores deixaram a sala, Helena, gerente de Recursos Humanos, entrou carregando alguns documentos.

— Senhor Beaumont, preciso de cinco minutos.

Ele fez um gesto para que ela se sentasse.

— O que aconteceu?

Helena abriu uma pasta.

— A Juliana pediu desligamento.

Nicolas levantou os olhos.

Juliana era sua assistente executiva havia quase cinco anos.

Organizava sua agenda, preparava reuniões e acompanhava parte de seus compromissos.

— Quando?

— Ela recebeu uma proposta para morar no exterior. Trabalha até sexta-feira.

Nicolas apenas assentiu.

— Entendo.

Helena continuou.

— Precisaremos encontrar alguém rapidamente.

— Façam o processo seletivo.

Ela sorriu de leve.

— Na verdade…

Acho que já encontramos.

Nicolas apoiou os cotovelos sobre a mesa.

— Quem?

Helena retirou um currículo da pasta.

Maya Fernandes.

Ela o colocou sobre a mesa.

Nicolas permaneceu olhando para o nome por alguns segundos.

Disfarçou imediatamente.

— Por quê?

— Aprende rápido.

É extremamente organizada.

Todos os diretores elogiaram o atendimento dela.

Nunca chegou atrasada.

Resolve problemas sem criar outros.

Além disso…

Ela cursava Administração antes de precisar trancar a faculdade.

Nicolas abriu lentamente o currículo.

Passou os olhos pelas informações.

Experiência em atendimento.

Organização.

Ótimas recomendações.

A carta escrita por dona Célia ainda estava anexada.

Ele leu novamente algumas linhas.

“Se eu pudesse, jamais a deixaria sair da minha equipe.”

Fechou a pasta.

Permaneceu alguns segundos em silêncio.

A escolha fazia sentido.

Profissionalmente…

Era uma excelente decisão.

Pelo menos…

Era isso que repetia para si mesmo.

— O que Patrícia acha?

Helena sorriu.

— Foi ela quem sugeriu o nome.

Nicolas apoiou as costas na cadeira.

— Certo.

Faça a proposta.

Helena levantou-se.

— Ela começa quando?

Ele pensou por um instante.

— Segunda-feira.

— Perfeito.

Assim que a porta se fechou…

Nicolas permaneceu olhando para a pasta sobre a mesa.

Respirou fundo.

— É apenas uma promoção.

Nada mais.

Mesmo assim…

Não conseguiu esconder o discreto alívio ao imaginar que passaria a vê-la todos os dias.

No fim da tarde…

Patrícia aproximou-se do balcão.

— Maya…

— Oi?

— Pode vir comigo um instante?

Maya franziu a testa.

— Aconteceu alguma coisa?

— Só vem.

As duas caminharam até a sala do Recursos Humanos.

Helena levantou-se imediatamente.

— Maya, sente-se.

Ela obedeceu, um pouco nervosa.

Helena sorriu.

— Antes de tudo…

Parabéns.

Maya piscou, sem entender.

— Desculpa…

Parabéns pelo quê?

Helena deslizou um documento sobre a mesa.

— Gostaríamos de oferecer uma promoção.

Os olhos de Maya se arregalaram.

— Promoção?

— Sim.

A vaga de assistente executiva da presidência ficou disponível.

E acreditamos que você é a pessoa certa para ocupá-la.

Por alguns segundos…

Maya não conseguiu dizer uma única palavra.

Olhou para Patrícia.

Depois para Helena.

Voltou ao documento.

— Eu?

Helena sorriu.

— Você.

— Mas…

Eu estou aqui há tão pouco tempo.

— Tempo não é o único critério.

Competência pesa muito mais.

Maya sentiu o coração acelerar.

— Eu… não sei nem o que dizer.

— Diga que aceita.

Patrícia respondeu antes dela.

As três riram.

Maya voltou a olhar para o contrato.

Pensou em Gabriel.

Na cirurgia.

Na faculdade que um dia sonhava terminar.

Respirou fundo.

Sorriu.

— Eu aceito.

Helena levantou-se.

Estendeu a mão.

— Seja bem-vinda à presidência.

No último andar…

Nicolas observava a cidade através da enorme parede de vidro.

A porta da sala foi aberta discretamente.

Sua secretária entrou.

— Senhor Beaumont.

Ela aceitou.

Sem perceber…

Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios.

Foi rápido.

Quase imperceptível.

Mas suficiente para que a secretária estranhasse.

Em anos trabalhando com Nicolas Beaumont…

Jamais o vira sorrir ao receber a notícia da contratação de alguém.

Ele recuperou imediatamente a postura séria.

— Ótimo.

Providencie tudo para segunda-feira.

— Sim, senhor.

Quando voltou a ficar sozinho…

Nicolas caminhou até sua mesa.

Passou a mão sobre o couro da cadeira.

Tentou convencer a si mesmo de que havia tomado apenas uma decisão racional.

Afinal…

Maya era competente.

Educada.

Organizada.

Qualquer presidente faria a mesma escolha.

Ou pelo menos…

Era nisso que ele precisava acreditar.

Enquanto isso…

Sem imaginar o turbilhão que acabara de provocar na vida do homem mais poderoso daquela empresa…

Maya saía do prédio com um sorriso discreto.

Segurava a carta de promoção contra o peito.

Pela primeira vez em muitos anos…

Sentia que o futuro podia, enfim, começar a sorrir para ela.

Mas ela ainda não fazia ideia…

De que trabalhar tão perto de Nicolas Beaumont mudaria muito mais do que apenas a sua carreira.

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