Alexandre Moretti
O silêncio da noite em São Paulo nunca me pareceu tão acolhedor. Ao entrar na mansão, o peso que eu carregava nos ombros — um peso de décadas — tinha desaparecido com o rasto do jato que levou Gabriel Carvalho para o esquecimento. Eu sentia-me limpo. Sentia-me, pela primeira vez, totalmente dono do meu destino.
Elena estava na sala de estar, sentada perto da lareira com um livro no colo, mas os seus olhos não estavam nas páginas. Ela levantou-se assim que me viu entrar. A p