Alexandre Moretti
O silêncio da noite em São Paulo nunca me pareceu tão acolhedor. Ao entrar na mansão, o peso que eu carregava nos ombros — um peso de décadas — tinha desaparecido com o rasto do jato que levou Gabriel Carvalho para o esquecimento. Eu sentia-me limpo. Sentia-me, pela primeira vez, totalmente dono do meu destino.
Elena estava na sala de estar, sentada perto da lareira com um livro no colo, mas os seus olhos não estavam nas páginas. Ela levantou-se assim que me viu entrar. A preocupação no seu rosto era evidente, mas eu respondi com o primeiro sorriso genuíno e relaxado que tive em dias.
— Acabou, Elena — disse eu, antes mesmo de ela perguntar. — Ele partiu. Desta vez, para sempre.
Ela correu para os meus braços. O abraço dela era o meu porto seguro, o lugar onde o "Gelo Moretti" derrete e sobra apenas o homem que a ama além da razão. Naquela noite, dormimos sem pesadelos. Mas eu tinha um plano. O plano que Gabriel tentou sabotar, mas que agora, com o horizonte lim