Alexandre Moretti
O jardim da mansão de Atibaia não era apenas um espaço de paisagismo; era uma extensão da nossa alma. Naquela noite, o ar estava carregado com o perfume das damas-da-noite e a frescura do orvalho que começava a pousar sobre as camélias. Eu a observei de longe, parada perto da fonte de mármore, onde a água vertia num som rítmico e hipnótico. Elena parecia uma visão etérea sob o luar prateado, o seu vestido de seda azul movendo-se suavemente com a brisa da montanha.
A palidez de porcelana quebrada, que a acompanhava como uma segunda pele no Palácio dos Bandeirantes, estava sendo substituída por um tom rosado, quase imperceptível, mas que para mim era o sinal mais glorioso de vitória. Eu tinha destruído um império para ver aquela cor voltar ao seu rosto.
Caminhei pela grama macia, o som dos meus passos abafado pela natureza. Elena não se sobressaltou quando parei a alguns passos dela. O leve tremor que costumava percorrer os seus ombros ao sentir a presença de algué