Por Elena Fontes
Às vezes, eu me pego prendendo a respiração. É um hábito antigo, um reflexo condicionado de quando eu precisava ser invisível, de quando o som dos meus pulmões se enchendo de ar parecia uma ofensa ao silêncio que Ricardo exigia. Mas aqui, na mansão dos Moretti, o ar é vasto. Ele sobra. E essa abundância de espaço, de tempo e de escolhas é, paradoxalmente, a coisa mais assustadora que já enfrentei.
Minha vida mudou em uma velocidade que desafia a lógica. Há uma semana, eu esta