Elena Fontes
A mesa da sala de jantar principal da mansão de Atibaia não se parecia em nada com a mesa de mármore gélido onde eu costumava me sentar com Ricardo. Na casa dos Fontes, o jantar era um exercício de etiqueta militar e silêncio punitivo; se um talher batesse no prato com muita força, o ar parecia congelar. Ali, no entanto, o som era outro. Havia o tilintar de taças de cristal, o aroma inebriante de um ossobuco cozinhando lentamente e, acima de tudo, o som de vozes que não pediam permissão para existir.
Eu usava um vestido de seda azul escuro, simples, que Stella insistira que eu aceitasse. Pela primeira vez, não sentia que o tecido era uma armadura, mas apenas uma veste. Alexandre estava ao meu lado, a mão repousando levemente no encosto da minha cadeira, uma âncora discreta mas poderosa.
— Eles estão a chegar — sussurrou ele ao meu ouvido, com um sorriso divertido que eu raramente via. — Prepare-se, Elena. Os Moretti em bando são uma força da natureza.
A porta da sala