O Campo de Batalha
Aurora Moretti
O ar condicionado da sala de conferências da Prefeitura de São Paulo estava ajustado para uma temperatura gélida, mas eu sentia que poderia entrar em combustão a qualquer momento. Ao meu lado, meu pai, Dante, exalava uma confiança absoluta. Ele estava em seu habitat natural, o predador alfa prestes a reivindicar seu território. À minha direita, Alexandre mantinha os olhos fixos nos documentos, a mandíbula travada, pronto para o combate técnico.
— Preste atenção em cada vírgula, Aurora — sussurrou meu pai, sem desviar os olhos da porta. — O Direito é a arma, mas a estratégia é o que puxa o gatilho. Hoje você verá como os Moretti garantem o futuro.
Eu assenti, mas minhas mãos, escondidas sob a mesa de carvalho, apertavam o tecido da minha saia lápis. Eu sabia quem estava prestes a cruzar aquela porta, e quando isso acontecesse, seria difícil fingir normalidade.
A porta se abriu e o som de passos firmes ecoou pelo mármore. Sebastian Viccari entrou na