Ricardo Fontes
O cheiro deste lugar é insuportável. Cheira a fracasso, a suor barato e a desinfetante de quinta categoria. Eu, Ricardo Fontes, trancado em quatro metros quadrados de concreto. É uma piada de mau gosto. Meus advogados prometeram que eu sairia em vinte e quatro horas. "Um erro processual", disseram eles. "O juiz é nosso amigo", garantiram.
Passei a noite acordado, sentado neste banco de pedra, imaginando o que faria com a Elena quando a encontrasse. Eu não ia apenas buscá-la; eu ia quebrá-la. Ia mostrar a ela que o mundo lá fora é cruel para mulheres que não têm um dono. Eu ia fazê-la implorar para voltar para a nossa casa, para a segurança da minha mão, mesmo que essa mão estivesse fechada em um punho.
A questão é que já se passaram dias, e mais desculpas estão surgindo, e nada tem sido de fato resolvido.
Minha mãe me visitou várias vezes, tentou me acalmar e dizer que tudo ia se resolver. Que até disse que fez uma denúncia de sequestro e cárcere privado em nome da