Aurora Moretti
O trajeto do museu até o meu apartamento em Mayfair foi um ensaio para o fim do mundo. O silêncio dentro do carro de luxo era tão denso que eu sentia dificuldade em expandir meus pulmões. Dante estava ao meu lado, as mãos cerradas sobre os joelhos, emanando uma fúria que fazia o ar vibrar. Stella, ao seu lado, mantinha os olhos fixos na janela, mas sua postura não era de derrota; era de prontidão.
A festa no museu havia implodido. A fuga de Alistair atrás daquela mulher misteriosa deixou os Thorne em um estado de pânico aristocrático, correndo pelos corredores para evitar que a imprensa flagrasse o herdeiro em um escândalo. Sebastian, com a audácia que só ele possui, fizera questão de caminhar conosco até a saída, mantendo-se a uma distância segura, mas visível, como uma sombra que Dante não conseguia espantar.
Assim que cruzamos a porta do meu apartamento, o teatro acabou. Ricardo fechou a porta atrás de nós e postou-se como uma estátua de gelo na entrada.
— VOCÊ