Aurora Moratti
O jantar prosseguia com uma polidez que me sufocava, até que a orquestra mudou o tom, iniciando uma valsa que parecia flutuar pelas galerias de mármore do museu. Alistair, percebendo o olhar inquisidor de meu pai e a expectativa silenciosa de seus próprios pais, inclinou-se em minha direção.
Ele estava pálido, e notei que a mão que ele estendeu para mim tremia imperceptivelmente.
— Aurora — disse ele, com aquela voz aveludada que sempre usava para aplacar as tensões sociais. — Acredito que esta seja a nossa deixa. Nossos pais parecem ansiosos para ver se o investimento deles em etiqueta valeu a pena. - Você me daria a honra desta dança?
Eu olhei para Dante, que assentiu com um sorriso rígido de aprovação, e depois para Stella, que apenas suspirou. Levantei-me, aceitando a mão de Alistair.
— Vamos acabar com isso — sussurrei para ele, enquanto caminhávamos para o centro do salão, sob o esqueleto da baleia azul.
Alistair colocou a mão na minha cintura com uma hesit