Elena Fontes
O sol de São Paulo entrava pelas janelas imensas do meu novo ateliê, criando padrões de luz que dançavam sobre o chão de cimento queimado. Pela primeira vez em anos, eu acordei sem o peso de uma mão invisível me esmagando o peito. Após a sessão de terapia que fazia online por recomendação, pois a minha saúde mental também era importante. Foram anos de abuso físico e emocional, e nada se varre para baixo do tapete. Tem que ser resolvido, falado e curado da forma correta.
Então me dedicar três vezes na semana a esse tempo era fundamental para mim, e não abriria mão disso. A minha própria terapeuta disse que eu preciso desse passo, de me redescobrir no mundo e não fugir dele.
Com o coração na mão, mas confiando na segurança que tinha ao meu redor. Alexandre tinha me deixado lá cedo, respeitando o meu desejo de ter um tempo a sós com as minhas telas antes que a equipe de Mariana chegasse para a curadoria.
A autonomia é um sabor que se descobre aos poucos. É o silêncio que n