O verbo da liberdade

Elena Fontes

​Eu não queria ir à delegacia com as roupas manchadas de tinta do ateliê. Para enfrentar os fantasmas do meu passado, eu precisava de uma armadura. Alexandre me levou em casa, e eu escolhi cada peça com uma precisão cirúrgica: um conjunto de alfaiataria em tons de cinza suave, o cabelo preso num coque impecável e o olhar limpo. Eu não era mais a menina assustada que fugiu na calada da noite; eu era a mulher que voltava para reivindicar a sua história.

Alexandre segurou a minha mão durante todo o trajeto até a delegacia. O silêncio no carro não era pesado, era reverente. Ele sabia que aquele era o meu rito de passagem, que eu precisava acabar com tudo aquilo que me tirava a paz.

​A Drª Ramos me recebeu numa sala pequena, mas organizada. A sala de depoimentos era impessoal, um lugar que eu jamais pensei que iria pisar um dia, mas aqui estava desposta a falar tudo. Havia um gravador sobre a mesa e uma escrivã pronta para digitar cada uma das minhas palavras. Alexandre sen
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