POV de Marjorie
Quando recobrei a consciência, percebi que estava no quarto de Apolo, deitada na cama dele. O vi na janela, parado, olhando para o nada, completamente pensativo. Tentei me levantar, mas em duas passadas ele já estava ao meu lado.
— Não se levante. Você teve um colapso nervoso. Deixa seu cérebro se acostumar com a normalidade de novo.
— Estou bem. Preciso ir pra casa.
— Marjorie, vamos conversar.
— Não, Apolo. Não temos nada pra conversar. Acho que você tem um funeral pra organizar. De um pai que eu nem sabia que existia.
— Meu amor…
— Se eu ainda consigo pensar direito, se eu não sabia que você tinha pai, é porque ele era o chefe da organização, não é?
— Sim. Gildo era o chefe da organização e não era meu pai de sangue.
— Mas trouxe você e sua mãe pra São Paulo e te assumiu a partir daí. Em quais condições sua mãe morreu? Numa emboscada igual a de hoje?
— Não. Ela nos largou quando eu tinha dez anos. Ela era acompanhante de luxo e um cliente psicopata a matou enforcad