O Tentação do Noivo Poderoso
O Tentação do Noivo Poderoso
Por: Elaine Moscardi
Prólogo

Narrado por Marjorie

Enquanto puxava o cinto de segurança e o encaixava com um clique seco, tentei entender o nível de interesse do meu noivo.

Porque não era normal.

Não era normal um homem ir pessoalmente buscar a noiva na casa de outro homem. Muito menos depois de um escândalo transmitido em rede nacional. Muito menos depois de eu ter dito — com todas as letras — que não aceitava aquele acordo.

E, definitivamente, não era qualquer homem.

Ele tinha ido até a casa de Apolo.

Dois dias depois de eu me entregar ao amor da minha vida. Dois dias depois de tudo explodir. Dois dias depois de eu ser exposta, julgada, praticamente leiloada em praça pública.

Minha mãe fez parecer simples. Disse que o “coroa” só queria uma novinha. Que eu fui escolhida quase aleatoriamente. Um capricho caro. Uma aquisição.

Mas aquilo… aquilo não parecia aleatório.

A insistência. A calma. O jeito como ele me observa agora, com as mãos firmes no volante, como se tivesse todo o tempo do mundo.

Virei o rosto discretamente para encará-lo.

Erro.

Bruno é mais velho, sim. Mas a idade parece só um detalhe irrelevante diante do conjunto. Mandíbula firme. Boca carnuda. O tipo de boca que promete pecados silenciosos. E o cheiro.

Meu Deus.

O cheiro dele não é perfume. É provocação engarrafada. Algo que sussurra “me experimenta” direto no meu instinto mais baixo.

Quando ele tocou minha mão para se apresentar, mais cedo, foi como se uma corrente elétrica tivesse atravessado meu corpo. Ridículo. Irritante. Inconveniente.

Eu não sou assim.

Sempre fui centrada. Focada. Estudos, metas, disciplina. Homens eram distrações que eu não precisava.

Apolo sempre foi diferente. Meu amor de adolescência. Meu porto seguro. E eu nem sabia o quanto o desejava até dois dias atrás. Até me entregar a ele. Até sentir o mundo inteiro se reorganizar dentro de mim.

Foi lindo. Intenso. Avassalador.

E agora estou sentada ao lado do meu noivo comprado, com a pele reagindo ao cheiro dele como se meu corpo tivesse traído meu coração.

Preciso me concentrar.

Não estou indo para um encontro. Estou indo a um funeral. Preciso segurar a barra do meu melhor amigo, que acabou de perder o pai.

Mas é difícil pensar em luto quando o homem ao meu lado parece um pecado sob medida.

Percebi que estava encarando quando ele abriu um sorriso de canto.

Meu coração virou escola de samba.

Levantei o queixo, defensiva.

— Por que está me encarando em vez de prestar atenção no volante? E o que traz esse sorrisinho na sua cara?

Ele não desviou os olhos da estrada.

— Você sabia que é muito fácil de ser lida, Marjorie?

Arqueei a sobrancelha.

— Está me avaliando? Já não tinha avaliado a mercadoria antes de fechar negócio?

Ele riu baixo. Não foi deboche. Foi… controle.

— Não estou te avaliando. Estou lendo. Você me encarou, revirou os olhos e mordeu o lábio. Não preciso ser gênio nem don Juan para perceber que teve pensamentos impróprios comigo.

Senti meu rosto esquentar.

— Convencido. Só nos seus sonhos de velho tarado. Você é quase um cinquentão. Devia estar jogando xadrez na praça com outros tiozinhos, não comprando universitárias para sua cama.

Ele puxou o freio de mão com suavidade. Só então percebi que já estávamos estacionados na porta da minha casa.

Antes que eu pudesse reagir, ele ergueu a mão e passou as costas dos dedos pelo meu rosto.

Foi um gesto simples.

Mas meu corpo reagiu como se ele tivesse me tocado em lugares proibidos.

Minhas pernas ficaram moles. O ar ficou pesado. Fechei os olhos por um segundo — esperando um beijo.

Pior: desejando um beijo.

A voz dele veio baixa, perto demais.

— Se não estivéssemos com o tempo contado… eu te mostraria que faço coisas muito mais interessantes do que jogar xadrez.

A ponta dos dedos dele desceu pelo meu maxilar até quase alcançar meu pescoço.

— E provaria que o “coroa” aqui dá conta de estudantes.

Minha respiração falhou.

Eu conseguia imaginar. Conseguia sentir. A voz dele no meu ouvido. A boca perto da minha. As mãos descendo… mais.

— Mas não estou aqui para seduzir universitárias — ele completou, afastando-se com naturalidade cruel. — Temos um funeral. Vamos nos comportar.

Abri os olhos.

Ele já estava recomposto. Frio. Elegante. Inatingível.

Saí do carro tentando fingir que minhas pernas não pareciam gelatina.

O que está acontecendo comigo?

Eu amo Apolo.

Amo.

Decidi me entregar a ele para fugir desse noivado absurdo. Foi mágico. Verdadeiro. Nosso. Só fortaleceu o que sempre existiu entre nós.

Então por que estou me derretendo por um homem que deveria odiar?

Por que cada toque inocente dele parece incendiar minha pele?

Ele só me tocou duas vezes. Duas. E nenhuma foi indecente.

Talvez o monstro esteja só na minha cabeça.

Talvez eu tenha projetado nele toda a crueldade da minha mãe — a mulher que teve coragem de me vender.

Quando entrei em casa, respirei fundo.

Agora não é hora de desejo. Não é hora de dúvida. É hora de ser forte. De ser amiga. De ser apoio.

Mas enquanto subia as escadas, uma pergunta latejava como um segredo perigoso:

E se o homem que eu jurei odiar for o único capaz de me tirar do destino que eu mesma escolhi?

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