Nova York: POV Adrian
Nova York sempre teve um efeito calmante em mim.
Não pela beleza.
Pelo controle.
A cidade funcionava como eu funcionava: precisa, impessoal, eficiente. Nada ficava tempo demais fora do lugar.
Foi por isso que o aeroporto me incomodou mais do que eu estava disposto a admitir.
Rachel estava ali, poucos passos à minha frente, recebendo flores de Eduard como se aquilo fosse apenas mais um detalhe doméstico da vida que ela levava longe de mim.
Eu conhecia aquele gesto.
Flores não eram romantismo.
Eram reparação.
O tipo de coisa que um homem oferece quando sabe que algo ficou mal resolvido demais para ser ignorado.
Observei em silêncio.
Rachel segurando o buquê.
O sorriso controlado.
O abraço um pouco mais longo do que o necessário.
Não senti raiva.
Senti algo pior: uma irritação fria por entender exatamente o que aquilo significava.
No carro de volta para casa, tentei fazer o que sempre faço: reorganizar o mundo em lógica.
São Paulo tinha sido um desvio.
Um exces