O Resgate da Noiva

O Resgate da NoivaPT

Mistério/Thriller
Última actualización: 2026-08-10
Rosária F. Capita  Recién actualizado
goodnovel18goodnovel
0
Reseñas insuficientes
10Capítulos
15leídos
Leer
Añadido
Resumen
Índice

Um amor conquistado no inferno da guerra. Um casamento transformado em pesadelo. David é um capitão fuzileiro veterano. Passou os últimos quatro anos a sobreviver à lama, ao sangue e aos morteiros na província de Helmand, no Afeganistão. Calejado pelo gatilho, o seu único porto de abrigo mental eram as cartas de Teresa — a rapariga doce e inocente que deixou em solo americano, a única capaz de desarmar a sua armadura militar.De regresso a casa, tudo o que David deseja é enterrar os fantasmas do passado e cumprir a promessa que o manteve vivo: levar Teresa ao altar num casamento perfeito sob o sol de Miami.No entanto, o destino não perdoa quem tem as mãos manchadas de pólvora.No dia da cerimónia, a ilusão da paz desaba com o chiar dos pneus da polícia. Teresa nunca chegou. O carro nupcial foi encontrado arrombado na estrada, a mãe da noiva está inconsciente no asfalto e o véu de seda branca foi deixado para trás, rasgado e manchado de sangue. O passado militar de David bateu-lhe à porta da pior maneira possível.Teresa foi arrancada do seu mundo para servir de peão numa vingança geopolítica implacável. Mas os raptores cometeram o maior erro das suas vidas: eles achavam que estavam a fazer refém a noiva de um civil, mas acabaram de despertar o predador mais letal do exército.Desarmado, sem o apoio das autoridades e com o relógio a contar os segundos, David quebra o seu juramento de paz. Ele abre o baú militar, recupera a faca de combate e ativa o modo caçador. A sua jurisdição agora é o mundo. Ele vai cruzar oceanos, desmantelar cartéis e deixar um rasto de corpos até trazer a sua noiva de volta... ou morrer a tentar.

Leer más

Capítulo 1

Capítulo 1: O Gosto do Regresso

O ar condicionado daquela porcaria do Boeing 777 cheirava a suor, café, tralhas e querosene. Quatro anos enfiados na província de Helmand resumidos a um voo com mais de 200 gajos que tal como eu, não sabiam bem o que iam fazer agora que não tinham em mãos uma espingarda para agarrar. Para os civis que viam as notícias na televisão, o Afeganistão era um monte de areia e gajos trajados a pano. Para mim, era o barulho dos cartuchos a bater no chão e o rádio a chamar numa certa frequência no meio de uma emboscada.

Quando os pneus do bicho morderam o chão na base aérea de MacDill, o pessoal desatou aos gritos. Malta fardada aos murros nos ombros uns dos outros, a chorar aquela palhaçada toda. eu fiquei quieto no banco. A minha mão direita estava enfiada no bolso da calça camuflagem com os dedos agarrando o raio da caixa de veludo azul.

Finalmente esta merda acabou!

A rampa de metal desceu e o bafo de Miami adentrou pelas minhas narinas, esbatendo com violência mínima no meu rosto. A brisa vinha também com um calor húmido e pegajoso, diferente do clima daquela zona que sabia a pó, bem peculiar das montanhas arenosas de Kandahar. Deitei a mochila ao colo e saí  do avião às pressas, sem olhar para trás.

Só me interessava uma coisa: a linha de civis atrás das grades de segurança.

Havia cartazes parvos, balões e gajas a chorar, mas o meu olho focou em apenas um único ponto.

A Teresa.

Estava com um vestido amarelo ranhoso, daqueles leves e o cabelo castanho todo despenteado com ação do vento seco e quente. Quando me viu, largou a mala que tinha em mão e veio a correr para dentro dos meus braços. os policiais da base ainda tentaram alcançá-la, mas vendo a minha farda, perceberam logo e refrearam o passo, deixando-a seguir o destino a muito traçado.

larguei a mochila ao chão. Nem pensei. Dei dois passos e ela chocou contra o meu peito com a força de um caminhão.

O cheiro dela. Baunilha. Sem Pólvora, sem fumo. Sem cheiro de sangue. Só ela.

— Voltaste... foda-se, David, tu voltaste mesmo — soluçou ela, com a cara enterrada no meu pescoço, a apertar-me as costas como se o mundo fosse acabar.

— Eu disse-te que voltava, não disse? — murmurei, a enterrar os dedos no cabelo dela. A minha postura militar, aquela rigidez de quem passa o dia em sentido, derreteu-se toda ali no meio do cimento da pista. — Acabou, miúda. A guerra acabou. Estou aqui.

Segurei-lhe o queixo para a olhar de frente. Tinha a cara cheia de lágrimas. Beijei-a com a fome de quem passou a comer ração seca e com sabor a nada caseiro. Um beijo bruto, com o peso de todas as patrulhas onde quase fiquei agarrado à terra por causa de uma mina ou de um tiro de um sniper qualquer.

Ela afastou-se um pouquinho e olhou-me nos olhos, passou o dedo pela minha bochecha e deu-me mais um chocho, deixando o rosto corado de batom.

— Estás diferente, David. Tens o olhar... mais frio. Mais duro.

— É do cansaço do voo, não é nada — cortei logo, forçando um sorriso que me soube a falso. — Só preciso de te ver todos os dias para esta merda me passar da cabeça. Quero esquecer o deserto. Vamos mas é embora daqui.

Peguei na mochila com a mão esquerda e dei-lhe a direita. Os nossos dedos encaixaram direitinhos como as peças de um carregador. Enquanto íamos para o parque, ela não se calava:falava da casa que alugou ao pé da praia, que já tinha o frigorífico cheio e que o jantar estava pronto.

Eu ia abanando a cabeça a fingir que ouvia tudo mas o meu cérebro de fuzileiro não descansava. Os meus olhos faziam o scan ao parque de forma criteriosa: saídas, esquinas, entradas, e coberturas. A uns duzentos metros estacionada ao pé dos táxis estava uma carrinha cinzenta de vidros fumados. Vio reflexo latente de uma lente de câmera lá dentro. Alguém a apontar para nós.

Instintivamente, puxei a Teresa para mais perto de mim, mantendo o meu corpo entre o dela e o veículo. Mal nos aproximamos da zona movimentada o veículo arrancou e sumiu pela pista a nossa frente.

Estás paranoico, pensei, a tentar acalmar os batimentos cardíacos. A guerra ficou lá longe, caralho. Estás na América. Aqui ninguém te quer matar.

A Teresa abriu a porta do carro dela e olhou para mim a rir, com os olhos a brilhar.

— Pronto para a vida civil, Capitão?

Toquei na caixa de veludo dentro do bolso. Aquele anel tinha-me custado quatro anos de inferno, mas estava ali.

— Siga, noiva. Conduz tu.

Nós nem sabíamos que aquele dia seria um dos poucos dias que passaríamos juntos. O momento que se prenunciava como de paz, na verdade, se configuraria como algo bem pior que os sangrentos dias de Kandahar.

Desplegar
Siguiente Capítulo
Descargar

Último capítulo

Más Capítulos

También te gustarán

Último capítulo

No hay comentarios
10 chapters
Capítulo 1: O Gosto do Regresso
Capítulo 2: O Último Refúgio
Capítulo 3: A Eletricidade do Silêncio
Capítulo 4: A Armadilha do Conforto
Capítulo 5: O Véu Oculto
Capítulo 6: O Silêncio das Armas
Capítulo 7: O Labirinto de Chumbo
Capítulo 7: O Labirinto de Chumbo
Capítulo 8: A Rota do Oriente
Capítulo 9: O Porão de Ferro
Explora y lee buenas novelas sin costo
Miles de novelas gratis en BueNovela. ¡Descarga y lee en cualquier momento!
Lee libros gratis en la app
Escanea el código para leer en la APP