Me viro devagar, reconhecendo a voz antes mesmo do rosto.
— Não achei que você viria, Clari — Lydie diz, parada no alto da escadaria, ainda com um xale jogado sobre os ombros e o cabelo preso às pressas, como se tivesse sido arrancada do descanso por um pressentimento.
Por um instante, fico apenas observando-a. Há algo de diferente em sua postura — não frágil, mas carregada. Governar Sypro não a endureceu; tornou-a mais atenta, mais silenciosa nos lugares certos. Ainda assim, reconheço nela a mesma menina que dividia comigo o dia a dia.
— Eu também não achei — respondo, tentando segurar o choro. — Mas as coisas mudaram.
Ela desce os últimos degraus com passos rápidos, sem esperar protocolo algum, e me envolve em um abraço curto, firme, necessário. Não é um gesto cerimonioso, é pessoal. Daqueles que só existem quando palavras já não dão conta.
— Clari, você simplesmente aparece no meio da noite — ela se afasta, segurando meus braços e me examinando como se quisesse confirmar que sou re