Início / Romance / O Preço Do Nosso Pecado / Capítulo 4: O que aconteceu em Nápoles, Elena?
Capítulo 4: O que aconteceu em Nápoles, Elena?

JULIAN BLACKWOOD

Eu podia sentir o pulso dela acelerado daqui. Elena Moretti era como uma corda de violino esticada ao máximo; um toque errado e ela se partiria. Mas eu não precisava que ela fosse inteira, eu precisava apenas que ela fosse convincente.

Ela estava encostada na estante, os olhos escuros arregalados, me olhando como se eu fosse o próprio diabo oferecendo uma maçã. E talvez eu fosse. Mas a maçã dela estava podre há muito tempo, eu apenas estava oferecendo uma nova casca.

— Por que eu? — ela sussurrou. A voz dela tinha aquela cadência italiana que me dava vontade de desvendar cada segredo que ela escondia sob aquele vestido casto.

— Porque você odeia o que eu represento, Elena. E isso faz de você a única pessoa em quem eu posso confiar para não se apaixonar por mim. — Afastei-me um centímetro, dando a ela o oxigênio que eu sabia que ela estava implorando para ter. — Paixão estraga os negócios. E o que eu estou te oferecendo é o negócio mais lucrativo da sua vida. Tirei um envelope fino do bolso interno do meu paletó. Não era o contrato final — meu advogado ainda estava redigindo as letras miúdas — mas era o rascunho das minhas exigências.

— Vamos ser claros, Elena. As cláusulas são simples, mas invioláveis — comecei, minha voz assumindo o tom que uso em reuniões de fusão e aquisição. — Primeiro: Um ano de casamento legal e público. Moraremos sob o mesmo teto, na mansão dos Blackwood. Meu avô é um falcão; se ele sentir o cheiro de quartos separados, o contrato acaba e o seu financiamento também.

Vi o choque passar pelo rosto dela, mas continuei.

— Segundo: Fidelidade absoluta perante as câmeras. O que você faz entre quatro paredes não me importa, desde que não saia de lá. Terceiro: Você me acompanhará a todos os eventos da fundação. Você será a mulher que me salvou. A "Santa Moretti".

Elena apertou os braços contra o corpo, como se estivesse com frio.

— E o meu irmão?

— Ah, sim. O ponto de pressão. — Cruzei os braços, observando-a. — Sarah mencionou que você tem um irmão. Lorenzo, não é? Em uma clínica de reabilitação motora na Suíça. Um tratamento caro que o seu salário de arquivista não cobre nem as gazes. Eu assumo tudo. As melhores cirurgias, os melhores fisioterapeutas. Ele voltará a andar, Elena. Ou pelo menos terá a melhor vida que o dinheiro pode comprar.

Ficamos em silêncio por um momento. Eu precisava saber até onde ia a lealdade dela para saber o quanto eu poderia exigir.

— Me conte sobre ele — pedi, suavizando o tom, embora a intenção fosse puramente investigativa. — E sobre a sua família na Itália. Sarah disse que você não tem mais ninguém lá. Por que uma mulher com o seu rosto atravessaria o oceano para se esconder em uma biblioteca em Manhattan? O que aconteceu em Nápoles, Elena?

Ela empalideceu tanto que achei que fosse desmaiar. A menção a Nápoles pareceu um golpe físico. Ela desviou o olhar para os livros, os nós dos dedos brancos de tanto apertar a própria pele.

— Minha mãe... ela se foi — ela disse, a voz tão baixa que quase se perdeu no silêncio da biblioteca. — E Lorenzo é tudo o que me restou. Ele não teve culpa. Nada do que aconteceu foi culpa dele.

O tom de culpa na voz dela era quase palpável. Havia sangue naquela história, eu podia sentir o cheiro. Mas eu não precisava da verdade dela agora, precisava apenas da sua assinatura.

— Se você assinar, Elena, eu me torno o seu escudo. Ninguém faz perguntas para a Sra. Blackwood. O que quer que tenha acontecido na Itália, morre lá. — Estendi a mão para ela, não como um convite romântico, mas como quem sela um pacto de sangue. — Então, o que vai ser?

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App