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Capítulo 5: Pense bem, Elena.

ELENA MORETTI

As palavras dele eram como chicotes, estalando no ar frio da biblioteca. Fidelidade. Fachada. Um ano. Cada cláusula que saía daquela boca desenhada e cruel parecia um prego a mais no caixão da minha liberdade. Julian Blackwood não falava de amor; ele falava de posse, como se estivesse comprando uma peça rara de leilão para decorar sua mansão vazia.

Mas quando ele mencionou Lorenzo, o ar desapareceu dos meus pulmões.

Como ele sabia? Sarah... ela não faria por mal, mas sua língua era leve demais para o peso dos meus segredos. Senti uma náusea familiar subir pela minha garganta. O tratamento de Lorenzo na Suíça era a única coisa que me mantinha de pé, o único motivo pelo qual eu suportava os pesadelos noturnos. Sem aquele dinheiro, os aparelhos seriam desligados. Sem o dinheiro, meu irmão seria apenas mais uma vítima da minha incompetência em proteger quem eu amava.

— Me conte sobre ele — a voz de Julian baixou, simulando uma empatia que eu sabia que ele não possuía. — O que aconteceu em Nápoles, Elena?

O nome da minha cidade natal soou como um gatilho. Por um segundo, não vi o rosto de Julian. Vi o fogo. Vi o metal retorcido do carro de minha mãe contra o muro de pedra da estrada costeira. Ouvi o grito dela me mandando correr antes que os homens de preto chegassem.

— Minha mãe... ela se foi — consegui dizer, minha voz saindo como um sussurro esmagado pela culpa. — E Lorenzo é tudo o que me restou. Ele não teve culpa. Nada do que aconteceu foi culpa dele.

Eu era a culpada. Eu era a razão de estarmos naquela estrada. Eu era a razão de Lorenzo nunca mais poder correr.

Julian deu um passo atrás, percebendo que tinha atingido o nervo exposto. Ele não precisava me torturar mais; o silêncio e o desespero já estavam fazendo o trabalho por ele. Ele tirou um cartão de visita do bolso — papel grosso, preto, com letras douradas em relevo. O peso da riqueza ostensiva.

— Eu não vou te forçar agora, Elena. Sei que você precisa processar o fato de que sou a sua única saída — ele disse, estendendo o cartão. Seus dedos roçaram nos meus, e o calor do contato me queimou como brasa. — Meu endereço está aqui. Minha cobertura. Você tem até amanhã à noite. Se não aparecer, o financiamento de Lorenzo acaba no fim do mês e eu encontrarei outra pessoa para usar o meu anel.

Peguei o cartão com as mãos trêmulas. Ele me olhou uma última vez, um olhar que não era de um futuro marido, mas de um credor esperando o pagamento.

— Pense bem, Elena. Você pode continuar sendo uma sombra que organiza livros de outras pessoas, ou pode ser a mulher que salvará o seu irmão. A escolha entre o orgulho e o sangue sempre foi fácil para mim. Espero que seja para você também.

Ele se virou e saiu, seus passos firmes ecoando pelo corredor de mármore até desaparecerem.

Fiquei sozinha na biblioteca, apertando o cartão contra o peito. O cheiro de sândalo dele ainda estava impregnado no ar, misturado ao cheiro de poeira e papel velho. Olhei para o cartão: Julian Blackwood. Fifth Avenue.

Era um convite para o céu dos ricos ou para o inferno que eu tanto temia? Naquele momento, com o peso de Nápoles ainda esmagando meus ombros, eu soube que não importava o quanto eu corresse. O passado sempre encontra uma forma de cobrar a conta, e Julian Blackwood era o cobrador mais implacável que eu já havia conhecido.

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