Mundo ficciónIniciar sesiónA sede do Grupo Vasconcellos ocupava vários andares de uma das torres mais imponentes da cidade, um edifício de vidro e aço que refletia o céu da manhã como se fosse parte dele, e Helena Duarte observou aquela estrutura enquanto atravessava a rua com passos firmes e silenciosos, sentindo uma mistura complexa de determinação, expectativa e um tipo de frieza estratégica que havia aprendido a cultivar ao longo de anos estudando exatamente como funcionavam homens poderosos como aquele que a aguardava no topo daquele império.
Ela não estava nervosa, porque nervosismo era um luxo que havia abandonado muitos anos antes; ainda assim, quando as portas giratórias se abriram diante dela e o ar frio do saguão elegante a envolveu, Helena sentiu algo diferente atravessar seu peito, não medo, mas uma consciência absoluta de que estava prestes a entrar em território inimigo, no coração de uma das famílias empresariais mais poderosas do país — e também no território do homem que ela pretendia conquistar.
Não por amor.
Mas por estratégia.
O elevador subiu em silêncio até o último andar, e durante aqueles segundos Helena ajustou discretamente o terninho que usava naquela manhã, uma peça elegante e perfeitamente ajustada ao corpo, composta por um blazer estruturado e uma saia de tubo que desenhava suas curvas com precisão calculada, enquanto os saltos finos reforçavam sua postura firme, segura e sedutora.
Nada naquele visual era por acaso, porque Helena sabia exatamente o que estava fazendo; ela havia estudado Leonardo Vasconcellos por meses, analisando seus hábitos, seus discursos e seus padrões de liderança, mas principalmente suas fraquezas, pois homens como ele valorizavam controle e reagiam com intensidade quando alguém ameaçava quebrá-lo.
Quando o elevador finalmente se abriu, uma secretária levantou os olhos da mesa com uma expressão profissional.
— Senhora Helena Duarte?
— Sim.
— O senhor Vasconcellos está esperando.
Helena assentiu e caminhou pelo corredor silencioso até a porta de madeira escura no final do hall, porém não bateu imediatamente, preferindo respirar fundo por um instante enquanto organizava os pensamentos e recordava o plano que havia construído com tanto cuidado; somente então levantou a mão e bateu duas vezes.
— Entre.
A voz que veio de dentro era grave, firme e carregada daquela autoridade natural que apenas homens acostumados a comandar grandes estruturas de poder possuíam.
Helena abriu a porta.
O escritório era amplo, elegante e dominado por uma parede inteira de vidro que revelava a cidade se espalhando até o horizonte, mas Helena mal registrou aquele cenário porque seus olhos imediatamente encontraram o homem parado atrás da mesa.
Leonardo Vasconcellos.
Ele era exatamente como nas fotografias que Helena havia analisado tantas vezes: alto, postura impecável, terno escuro perfeitamente ajustado e um olhar que parecia avaliar tudo ao redor com frieza calculada, e muito lindo, um dos homens mais cobiçados da cidade, seus olhos claros contrastam com os cabelos escuros.
Mas quando seus olhos se encontraram pela primeira vez, algo mudou no ar, ela não contava com isso, o que estava acontecendo?
Leonardo não desviou o olhar imediatamente; ao contrário, observou Helena com atenção silenciosa por alguns segundos antes de finalmente falar.
— Então você é Helena Duarte.
A forma como ele disse o nome dela parecia quase uma avaliação. Helena caminhou até a mesa.
— E você é exatamente como imaginei, senhor Vasconcellos.
Uma sobrancelha dele se arqueou levemente.
— Isso deveria me preocupar?
— Ainda não.
Helena sentou-se na cadeira diante da mesa sem esperar convite, e aquele gesto simples foi o primeiro movimento de desafio naquele encontro.
Leonardo percebeu.
— Confiante — comentou ele, apoiando as mãos na mesa enquanto a observava com atenção.
Helena inclinou levemente a cabeça.
— Preparada.
Leonardo caminhou lentamente ao redor da mesa até parar a poucos passos dela, ficando perto o suficiente para notar os detalhes que antes estavam distantes: o perfume discreto, a postura elegante e, principalmente, a maneira como aquela mulher parecia absolutamente confortável em um espaço onde a maioria das pessoas entrava com receio, ele estava decidindo o que isso lhe causava, mas causava alguma coisa, algo nela parecia o atrair.
— Você pediu essa reunião privada — disse ele finalmente.
— Pedi.
— Por quê?
Helena cruzou as pernas com calma.
— Porque acredito que prefira falar diretamente com as pessoas que trabalham para você.
— Trabalham para mim?
Ela sorriu levemente.
— Por enquanto.
O silêncio que se seguiu carregava tensão.
Leonardo estreitou os olhos.
— Explique.
Helena abriu a pasta que havia levado consigo e deslizou alguns documentos sobre a mesa.
— O Grupo Vasconcellos tem um problema.
Ele não tocou nos papéis.
— Eu tenho centenas de empresas. Qual delas você acha que tem um problema?
Helena apoiou os cotovelos na mesa e o encarou diretamente.
— A Altrix.
Leonardo permaneceu em silêncio por alguns segundos enquanto a observava.
— Continue.
Helena explicou com calma, apresentando projeções, mercados e riscos, mas enquanto falava mantinha o olhar fixo no dele algo que claramente o provocava, sua consfiança , astucia, ousadia, seu sorriso , como se estivesse desafiando cada reação que surgia naquele rosto controlado.
— Você está jogando um jogo arriscado — disse Leonardo finalmente ele a assitiu com cuidado e atenção redobrada ela respirar pausadamente, sua saliva passava pela garganta dela e movia se em uma respiração lenta, controlada, seu peito subia e descia lentamente e ele demorou seu olhar por ali sem perceber.
— Eu sei.
Essa afirmação o pega levemente desprevenido, então a intensão dela seria provocara ele de fato? Curiosidade o motiva, ele continua:
— E acha que pode vencer?
Helena inclinou o corpo ligeiramente para frente, seu decote o provoca , ele não consegue desviar o olhar, uma tensão nascia ali desde o momento que se olharam, parecem serem ligados de alguma forma, ele a desejava em silencio.
— Acho que você gosta de jogos arriscados - Ela fala de forma ousada, um sorriso provocativo.
Ele soltou uma pequena risada seca.
— Eu gosto de resultados.
— Então deveria gostar de mim - Ela arrisca.
Leonardo ficou em silêncio, porque aquilo era ousadia demais, ele a observou, seus olhos, suas vestes, seu olhar, seus labios , confiança demais, e ainda assim havia algo naquela mulher que o mantinha interessado.
— Você fala como se já soubesse exatamente o que eu procuro.
Helena ergueu o olhar lentamente , seus olhos escuros por tras dos oculos o hipnotizaram, ela sussurra em bom tom.
— Talvez eu saiba.
O silêncio entre eles ficou mais denso. Leonardo se aproximou alguns passos. Agora estava muito perto. Perto o suficiente para que Helena percebesse a tensão nos ombros dele, mas também o desejo fervilhante no olhar dele por ela.







