A mesa de jantar da mansão dos Fontes parecia um tribunal. O lustre de cristal projetava uma luz fria sobre os talheres de prata, e o silêncio só era quebrado pelo som metálico dos pratos. Eu estava sentada exatamente na frente de Laura. À cabeceira, na posição de poder que lhe cabia por direito, estava Henrique. Ele vestia uma camisa preta, perfeitamente alinhada, e segurava uma taça de vinho tinto com a mesma mão que, há poucas horas, se afundava na minha coxa. — Tina, você está tão quieta — Laura comentou, cortando o filé com distração. — Aconteceu alguma coisa na faculdade? Pisquei rápido, sentindo o suor frio brotar na minha nuca. — Não, amiga... Só cansaço. A semana foi pesada — menti, sem conseguir erguer os olhos do meu prato. — Ela só precisa de um pouco de vinho para relaxar — a voz de Henrique soou grave, dominando o ambiente. Olhei para ele por um segundo. Ele me encarava por cima da taça, com um brilho de puro deboche nos olhos escuros. Henrique ergueu a garrafa de
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