Mundo de ficçãoIniciar sessão— Sasha — comecei, tentando suavizar o tom, embora minha voz saísse firme e carregada de autoridade. — Eu não vim aqui para semear mais dor. Eu sei que errei. Errei de forma imperdoável ao negar o envolvimento do meu filho com a sua irmã. Eu... eu não sabia que ela vinha de uma boa família. Fui cego e preconceituoso.
— Ricos, o senhor quer dizer — ela me cortou, o queixo erguido com um orgulho ferino. — O senhor só se arrepende porque descobriu que não somos os "pobres coitados" que imaginou.
Respirei fundo, engolindo o insulto, e prossegui:
— O mal já foi feito e é irreparável. Sua irmã se foi, meu filho se foi. Seus pais têm a você, Sasha. Eles têm uma vida inteira. Eu? Eu não tenho mais ninguém. Só me restou este menino, o meu sangue, o último elo que me liga à existência de Ícaro. Ele merece conhecer a sua herança, a sua terra. E eu, apesar de todos os meus erros passados, quero garantir que ele tenha o melhor que este mundo pode oferecer.
Sasha me encarava, as lágrimas agora correndo livremente por seu rosto, mas seus olhos não amoleciam. Ela balançava a cabeça negativamente, um gesto de negação absoluta, apertando Leo como se eu fosse um monstro prestes a devorá-lo.
— O senhor fala em arrependimento — ela disse, a voz sufocada pelo choro —, mas palavras não trazem a Elena de volta. Nada vai apagar a frieza com que o Ícaro a tratou. E agora o senhor quer me tirar o único pedaço dela que eu ainda posso tocar? Ele é amado aqui! Ele é o meu filho de coração!
Cada palavra dela era como uma lâmina de bisturi cortando o que restava da minha consciência, mas eu precisava ser o patriarca. Precisava garantir o futuro dos Lykaios.
— Eu não quero afastá-lo de você para sempre, Sasha — tentei argumentar, mantendo a calma em meio à tempestade. — Quero que o Leo cresça cercado pelo amor de todos nós. Podemos encontrar um meio-termo, uma forma de honrar a memória de Elena e Ícaro juntos. Você poderá visitá-lo na Grécia sempre que desejar.
A tensão na sala era tão densa que parecia sufocar. Sasha parecia prestes a desabar, sua luta interna evidente em cada músculo de seu rosto. Mas eu sabia, com a frieza dos homens que decidem destinos, que a criança iria comigo de qualquer maneira.
Angelos interveio novamente, sua voz soando como um martelo batendo em um julgamento final.
— Sasha, entenda de uma vez: ele levará o menino. O acordo está feito. É o melhor para a reputação desta casa e para o futuro da criança.
Sasha olhou para o pai com um brilho de puro ódio, uma desilusão que nunca seria esquecida.
— Eu fiz uma promessa, Papas. No leito de morte da Elena, eu jurei que ficaria com ele — ela então se voltou para mim, o desespero tomando conta de sua voz. — Por favor... eu imploro. Não faça isso. Deixe-me ser a mãe que ele não tem mais.
— Elena te enterrou viva com essa promessa descabida, Sasha — Angelos disse, implacável. — Você é apenas uma criança de dezoito anos. Tem uma vida inteira pela frente, estudos, um futuro casamento... não pode carregar esse fardo agora. E lembre-se: enquanto viver sob o meu teto e às minhas custas, eu sou quem decide.
A jovem caiu em prantos, agarrada ao bebê, soluçando contra o cobertor de Leo. Aquela cena de desolação poderia ter movido montanhas, mas não alteraria a minha necessidade de levar meu neto. No entanto, enquanto eu a observava, um lampejo de astúcia, uma ideia moldada por décadas de negociações e estratégias, começou a tomar forma em minha mente. Uma solução que poderia resolver o dilema de Sasha e, ao mesmo tempo, dar um rumo à vida errática do meu sobrinho, Átila.







