Nayole Akello
Nunca acreditei nas sombras ou forças ocultas. Lembro-me, como se fosse ontem, dos dias em que ouvia histórias contadas por Mzabia, a velha guardiã do orfanato onde passei a maior parte da minha vida. “Os antepassados reencarnam nas crianças órfãs,” ela dizia, com os olhos fixos em mim. Na sua voz rouca havia uma advertência, uma premonição que não levei a sério. Eu tinha 18 anos e uma sede insaciável por liberdade, e acreditava que o que se escondia atrás daquelas histórias era