Parte 3...
Luna
Nunca achei que o som de passos vindos do andar de cima pudesse ser afrodisíaco. Mas desde o incêndio, qualquer barulho que Gabriel fizesse, uma descarga, uma cadeira arrastada, até o ranger da porta da sacada, me provocava como um sussurro indecente no escuro.
Estava tentando escrever. Tentando.
Mas tudo o que conseguia imaginar era a voz dele dizendo “Sem promessas, vizinha”, enquanto sumia pela porta como um herói de filme pornô com decência moral.
Revirei os olhos e encostei