Era mais uma dessas noites em que o silêncio falava mais do que qualquer frase bonita. O tipo de noite em que a cidade parece continuar viva do lado de fora, mas tudo aqui dentro se arrasta como um corpo sem alma. Heitor estava largado na cadeira da varanda como um homem à beira do colapso. Gravatinha pendurada no bolso da calça, camisa cinza meio amarrotada, cara de quem não dormia bem fazia semanas.
Servi dois copos de uísque, entreguei um a ele. Os olhos fundos, distantes. Aquela expressão d