Capítulo 15
Luna
O carro ainda estava lá quando voltei para a cama. Mas eu me forcei a deitar, mesmo que o sono não viesse. Fiquei encarando o teto por tempo demais, ouvindo os próprios pensamentos ecoarem. Eles vinham em ondas, como marés imprevisíveis: culpa, desejo, desconfiança. Cada emoção carregando um rosto. O de Marcelo. O de Dante. E o meu — refletido num espelho que já não reconhecia.
O beijo ainda queimava nos meus lábios. A memória dele era um peso confortável e perigoso, como um co