Nereia empalideceu, a palavra “companheira” pareceu drená-la, como se arrancasse o ar do peito dela. Ela murmurou, mais para si mesma, e mesmo do outro lado da sala, eu consegui ouvi-la.
— Isso… isso não é verdade. Não pode ser…verdade...
Ela me olhou como se eu fosse o monstro que arruinou sua existência, e talvez eu fosse. François pigarreou, provavelmente deve ter ouvido também aquele lamurio.
— Cyrus… agradecemos sua intervenção, é claro, mas esse tipo de declaração pode...
— Poupar a sua filha de morrer numa sala de interrogatórios? — meu pai completou, arqueando uma sobrancelha. — Sim, eu sei.
Silêncio, um silêncio denso, absoluto, sufocante. Neréia deu um passo para trás, as mãos tremendo.
Eu andei até ela por instinto, ela ergueu a mão, como se pedisse distância, mas eu ignorei e toquei seu braço de novo, firme, quente, quase possessivo.
Ela sussurrou, seus olhos marejados.
— P-para. Eu já pedi antes. Não faça isso…não me toque...
— Por quê? — murmurei, inclinando o rosto para