Neréia apenas caminhou até a janela aberta, as cortinas negras balançando ao redor dela como sombras vivas, o vento noturno entrava, carregando o cheiro de pinho, neve e magia antiga.
Ela parecia um espectro prestes a desaparecer.
E eu soube institivamente que ela havia encontrado uma outra opção para se livrar do nosso elo.
A certeza que atravessou até a minha carne, que se eu a deixasse por um segundo, se eu a perdesse de vista por um segundo, ela sumiria do mundo como fumaça, pois era assim que essa rata maldita pretendia se livrar do nosso vinculo recém-selado.
Eu não permitiria.
— Neréia — chamei, mais baixo do que pretendia, como se fosse sua sombra, sua consciência. – Nem pense nisso.
Ela não virou. Estava logo atrás dela, perto o bastante para sentir o frio que emanava de sua pele, seus calafrios e os tremores violentos, mas também suas reações incontroláveis a minha presença.
Ela estava rígida, como se não fosse feita de carne e sangue. Ergui a mão, lutando contra o desejo de