A Corte das Vozes Silenciadas

A porta atrás de mim se fechou com um baque surdo, abafado, que ecoou pelo meu peito como um presságio.

O corredor estreito que levava à Corte da Academia Uperside, parecia mais escuro do que deveria, apesar das tochas flutuantes que se curvavam levemente com a minha passagem, como se temessem chegar muito perto de mim.

Ou talvez… do que eu estava carregando, já nem sei mais o que eu sou. Meu coração batia tão forte que pulsava nas pontas dos meus dedos.

Eu ainda sentia o cheiro úmido e terroso do bosque grudado em minha pele, relva fria, musgo recente, e aquela brisa viva que me abraçou segundos antes. Mas aqui, dentro do castelo, o aroma mudava.

Era pesado, madeira ancestral, pergaminhos antigos, poeira encantada, tinta envelhecida. Como se cada respiração me enterrasse um pouco mais naquele labirinto de leis, julgamentos e punições.

Dois monitores caminharam atrás de mim, seguindo tão de perto que eu podia ouvir o roçar das capas pesadas; era claro que tinham ordens de me escoltar
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