A subida até a torre da reitoria pareceu interminável, os corredores estavam lotados, repleto de sussurros e olhares enviesados, cheios de suspeitas, que faziam minha garganta fechar, como um choque anafilático humano.
Nomes que eu não conhecia, vozes que nunca tinham se dirigido a mim, falavam sobre a minha presença, quase desaparecendo na capa do meu pai.
— É ela, não é?
— A bruxa quase humana que surtou?
— Feriu dois monitores…poderia ter matado alguém...
- Ela mentiu para todos....
— É perigosa… não devia estar aqui…
— A filha de quem? Do general Renault? Ah… isso explica tudo. Só assim para ela ainda estar nos domínios de Uperside.
Meu estômago se revirou.
Cada passo fazia minha pele arder, cada olhar era uma lâmina afiada me mutilando, invisível e silenciosa. E mesmo assim, todos sorriam para os meus pais, se inclinavam, os reverenciando.
Acho que pensavam que eu não poderia ouvi-los. Se fosse há dois dias, eu realmente não teria escutado essas acusações tão cruéis, mas com a si