Clara pegou a bolsa devagar.
Sem barulho.
Sem pressa.
Sem coragem.
O sol ainda não tinha nascido, mas os primeiros tons azulados já começavam a acender a cidade do lado de fora da janela.
Ela dobrou a camisa que usava. Sim, a camisa dele. Colocou na poltrona. Calçou os saltos de volta, ainda sem prender direito.
Olhou pro espelho. Cabelo bagunçado, pele marcada, olhos com sono… e brilho. Muito brilho.
A marca de um homem que soube ler a pele dela como um livro em braile — e escreveu ali uma his