Mundo de ficçãoIniciar sessãoA dinâmica parecia uma versão distorcida e intensificada de um speed dating. Eu me sentia em uma vitrine, mas havia uma eletricidade no ar que eu nunca experimentara antes. Sarah, encostada no balcão com um drink na mão, agia como a mestre de cerimônias, cronometrando cada interação com um olhar atento.
Os primeiros três homens foram... instrutivos, por assim dizer. O primeiro, Hugo, era um homem de meia-idade com um terno excessivamente caro e uma postura rígida. Ele passou os cinco minutos falando sobre sua coleção de chicotes e como esperava que sua submissa mantivesse sua casa organizada. Eu sou arquiteta, não governanta; sei projetar espaços, mas não nasci para espanar os troféus de ninguém. Próximo. O segundo, Felipe, era jovem demais e parecia mais nervoso do que eu. Ele tentava usar uma voz grossa e empostada que soava terrivelmente falsa. Quando perguntei o que ele entendia por "entrega", ele gaguejou algo sobre "fazer o que eu mando". Fofinho, mas eu não saí de um noivado morno com o Oliver para ser a babá de um dominador em treinamento. Próximo. Lá pelo quinto, um homem chamado Ricardo, a conversa foi um pouco mais interessante. Ele tinha mãos grandes e um olhar inteligente. Falou sobre o aspecto psicológico, sobre a confiança necessária para fechar os olhos e cair sabendo que alguém te seguraria. Por um momento, senti um vislumbre do que eu buscava. Mas quando ele mencionou que tinha uma "agenda lotada" com outras três submissas, meu interesse murchou. Eu queria algo real, não ser o número quatro na planilha de gestão de alguém. Então, chegou o sétimo. Victor. Desde o momento em que ele se sentou, o ar ao meu redor pareceu ficar pesado e carregado de um cheiro de cigarro barato e algo metálico. Ele era grande, com ombros largos e um sorriso que não alcançava os olhos pequenos e profundos. — Então você é a novata que a Sarah está promovendo? — A voz dele era áspera, desprovida da elegância que eu vira nos outros. — Eu sou a Clara — respondi, mantendo a coluna ereta, apesar do desconforto imediato. — E não estou sendo promovida. Estou conhecendo minhas opções. Victor inclinou-se para a frente, invadindo meu espaço pessoal. Ele não pediu licença; ele simplesmente tomou o território. — Opções? Você não parece alguém que sabe o que quer, Clara. Você parece uma menina perdida brincando com fogo. Você precisa de alguém que coloque os seus pés no chão. Alguém que você aprenda a respeitar. — O respeito é a base de qualquer relação, inclusive aqui, imagino — retruquei, sentindo uma pontada de irritação genuína. Se ele achava que minha origem humilde ou meu jeito simples me tornavam um alvo fácil, estava muito enganado. — Não o respeito comum. O respeito de uma submissa. — Ele colocou as mãos sobre a mesa, os dedos tamborilando de forma impaciente. — Comece agora. Diga: "Sim, senhor". Eu pisquei, surpresa com a audácia. — Desculpe? — Você ouviu. Quero ouvir como sua voz soa me chamando de senhor. — Eu não te conheço há três minutos, Victor. Não vou te chamar de nada além do seu nome. O rosto dele escureceu. O cronômetro de Sarah apitou, sinalizando o fim do tempo dele. Eu soltei um suspiro de alívio, pronta para ver o próximo da fila. — Seu tempo acabou — eu disse, com um tom final, já começando a me desligar daquela presença pesada. Mas Victor não se levantou. Ele continuou me encarando, a mandíbula travada. — Eu decido quando acabo, garota. — Victor, circule — Sarah interveio de longe, percebendo a demora e a tensão que emanava da mesa. Eu me levantei para ir até o bar e pegar um copo de água, querendo encerrar aquela interação desagradável, mas antes que eu pudesse dar o segundo passo, senti um aperto doloroso no meu antebraço. Victor havia se levantado e cravado os dedos na minha pele, puxando-me de volta com uma força bruta. — Eu dei uma ordem — ele sibilou perto do meu ouvido. O hálito dele era desagradável, uma mistura de álcool e nicotina. — Você não vira as costas para um Dominador. Peça desculpas. Agora. — Me solta! Você está me machucando! — Minha voz saiu mais alta do que eu pretendia. O pânico começou a subir pela minha garganta. Eu olhei em volta, mas os outros homens pareciam hesitar, sem saber se aquilo fazia parte de uma "cena" ou se era uma agressão real. Sarah começou a caminhar em nossa direção, mas ela estava do outro lado do salão. — Peça. Desculpas. Senhor. — Victor apertou ainda mais, e eu tive certeza de que ficaria com hematomas. — Ela disse para soltá-la. A voz que cortou o ar não era alta, mas tinha uma autoridade tão absoluta que o bar inteiro pareceu congelar. Não era um grito; era um comando frio, metálico, como o som de uma lâmina de aço sendo desembainhada. Victor parou. Eu também. Vindo da penumbra perto da entrada lateral, um homem caminhou em nossa direção. Ele era alto, de uma elegância que fazia todos os outros parecerem amadores. Vestia um blazer cinza-escuro sobre uma camisa branca impecável, sem gravata. O cabelo castanho estava perfeitamente alinhado, e os olhos... eram de um cinza gélido, como o céu de Santa Branca antes de uma tempestade. Victor tentou manter a pose, mas vi sua mão tremer levemente no meu braço. — Isso não é da sua conta, Alex. Estou ensinando boas maneiras à novata. O homem — Alex — parou a dois passos de nós. Ele não parecia furioso; parecia entediado, o que era muito mais assustador. Como se Victor fosse um erro de cálculo que ele precisasse apagar. — Você está sendo um estorvo, Victor. E está violando a regra básica de consentimento. Se você não tirar a mão dela nos próximos três segundos, eu vou garantir que você nunca mais seja bem-vindo em nenhum clube desta cidade. Ou em qualquer lugar onde eu tenha influência. — Alex deu um passo à frente, diminuindo a distância. Sua presença física era esmagadora. — Um. Victor me soltou como se eu tivesse acabado de ficar incandescente. Ele cambaleou para trás, tentando recuperar a dignidade que já tinha perdido. — Ela é só uma sub insolente... — Victor começou a resmungar. — Dois — Alex continuou, a voz baixando um tom, tornando-se mais perigosa. Alex não precisou chegar ao três. Ele apenas olhou para o lado, onde dois seguranças do bar já se aproximavam, alertados pelo seu comando silencioso. — Tirem-no daqui — Alex ordenou aos seguranças, sem tirar os olhos de mim. — E certifiquem-se de que ele não volte. Nunca. Victor foi escoltado para fora sob os olhares de desdém do restante do grupo. O silêncio que se seguiu era pesado, quase palpável. Eu ainda massageava meu braço, sentindo o pulsar do sangue onde Victor me apertara. Minha respiração estava curta, os olhos grandes e arregalados. Alex se virou para mim. Por um segundo, seu olhar cinza varreu meu rosto, descendo para o meu braço e voltando para os meus olhos. Não havia o julgamento que eu esperava, nem a luxúria barata dos outros. Havia apenas uma intensidade, uma análise silenciosa que me fez esquecer como se respira. Ele não disse "prazer em conhecê-la". Ele não se apresentou formalmente. Ele apenas me estudou por um momento eterno, deu um leve aceno de cabeça — um reconhecimento de que eu estava segura agora — e se afastou em direção ao balcão, deixando-me ali, trêmula e completamente hipnotizada pela sua presença. — Clara? Você está bem? — Sarah chegou ao meu lado, pegando meu braço com cuidado. — Estou... eu acho — sussurrei, olhando para as costas do homem de cinza, que agora pedia um uísque com uma calma imperturbável. — Quem é ele? Sarah deu um sorriso de lado, um misto de alívio e triunfo. — Aquele, minha querida, é o Alex. O homem que eu achei que não viria.






