Eu nunca imaginei que o silêncio de uma casa pudesse ser tão cheio.
Era sábado. Augusto tinha saído cedo para resolver algo no escritório — uma urgência que ele prometeu resolver em poucas horas. Eu e Laura ficamos sozinhas pela primeira vez desde a visita de Clara.
Sozinhas de verdade.
Sem tensão no ar. Sem assunto pendente.
Só nós duas.
— A gente pode fazer bolo? — ela perguntou enquanto tomava café.
— Pode. Mas você vai sujar a cozinha inteira.
— Faz parte — respondeu, séria.
Eu ri.