De madrugada, fui acordada por um barulho surdo. Um golpe seco contra o vidro. Levantei-me descalça e abri a cortina. No parapeito da janela, uma peça de xadrez: um cavalo de madeira manchado de vermelho. Peguei-o com dois dedos. Era pesado, velho, com um leve cheiro de gasolina.
Envolvi-o em um saco e chamei a segurança. Eles demoraram alguns minutos. Tiraram fotos, coletaram impressões digitais. Eva apareceu de pijama, com os olhos arregalados.
— O que é isso?
—Acho que é outra ameaça.
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