Mundo ficciónIniciar sesiónCapítulo 2
Korine Mille Depois de sair da empresa do CEO, fui direto para meu apartamento. Como meu escritório fica ali mesmo, não perdi tempo: deixei a bolsa sobre a mesa e segui para o banheiro. Precisava de uma ducha rápida para recarregar as energias antes de retomar o trabalho. Ao voltar, passei pela cozinha, preparei um lanche simples e me sentei diante do computador. A investigação não podia esperar. Peguei o número da esposa do meu cliente e iniciei o processo de rastreamento. Precisava descobrir com quem ela falava, para quem ligava, quais eram seus contatos mais frequentes. Em seguida, fui às redes sociais. Criei uma conta alternativa e enviei uma solicitação de amizade, discreta, calculada. Cada passo era meticulosamente planejado. A verdade estava escondida em algum detalhe, e eu estava determinada a encontrá-la. Consegui me conectar ao número e, depois de um bom tempo rastreando mensagens e ligações, a verdade veio à tona: a esposa dele mantinha um caso há dois meses. E pior, com alguém muito próximo de Leonardo Valek. Mas isso não bastava. Eu precisava de provas sólidas. Fotos, vídeos, gravações de conversas — tudo feito discretamente, sem levantar suspeitas. Ao analisar os registros, percebi que naquela noite ela teria um jantar com o amante. Anotei cada detalhe: horário, endereço, nome do restaurante. Em seguida, preparei meu equipamento — câmeras, microfone, gravador, celular. Ferramentas indispensáveis para uma detetive treinada como eu. A caçada estava apenas começando, e eu sabia que cada passo exigiria cautela. A verdade estava ao meu alcance, mas para alcançá-la eu teria que me mover como uma sombra. O restaurante estava cheio, iluminado por lustres elegantes e pelo burburinho das conversas. Eu já estava lá, instalada em uma mesa discreta, com visão privilegiada da entrada. Minutos depois, ela apareceu. A esposa de Leonardo Valek entrou com passos firmes, vestida para impressionar. Logo atrás, o homem que eu já suspeitava ser o amante. A cumplicidade entre eles era evidente: olhares trocados, sorrisos contidos, gestos que falavam mais do que palavras. Disfarcei, ajustando discretamente a câmera escondida na bolsa. Cada movimento deles era registrado. O microfone captava fragmentos das conversas, e eu anotava mentalmente os detalhes mais importantes. Enquanto o jantar avançava, eles se inclinavam um para o outro, riam, trocavam confidências. Eu sabia que aquelas imagens seriam cruciais. Provas irrefutáveis. Mantive a calma, mesmo quando o coração acelerava. Ser detetive era isso: ser invisível, mas estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Quando a sobremesa chegou, percebi o toque das mãos e o brilho nos olhos. Capturei o momento. Mais uma peça do quebra-cabeça. A noite estava apenas começando, mas eu já tinha material suficiente para abalar o mundo de Leonardo Valek. O jantar avançava em clima de cumplicidade. Risadas, olhares demorados, gestos íntimos. Eu sabia que estava perto do momento crucial. E então aconteceu: um beijo rápido, mas carregado de paixão. Disfarcei, ajustando a câmera escondida na bolsa e capturei a foto. Prova incontestável. Eles se levantaram logo depois, caminhando juntos até o carro. Mantive distância, seguindo discretamente. A noite estava silenciosa, perfeita para uma perseguição invisível. O destino não demorou a se revelar: um motel discreto na periferia da cidade. Estacionei em um ponto estratégico, preparei o gravador e a câmera de longo alcance. Cada detalhe precisava ser registrado. Do lado de dentro, as vozes se misturavam ao ambiente abafado. Ajustei o microfone e consegui captar uma frase que congelou meu sangue: — “Karla é minha esposa.” O amante não era apenas um desconhecido. Ele tinha laços diretos com Leonardo Valek. A revelação mudava tudo. Agora eu tinha provas, imagens e gravações. Mas também tinha em mãos um segredo capaz de destruir vidas. Leonardo Valek Já passava das dez da noite e Karla ainda não havia voltado para casa. O silêncio do apartamento parecia me sufocar. Caminhei de um lado para o outro, tentando me convencer de que não havia motivo para preocupação, mas a angústia crescia a cada minuto. Peguei o celular. Minhas mãos tremiam. Eu não suportava mais a dúvida, não suportava mais o vazio de não saber. Precisava da verdade, custasse o que custasse. Respirei fundo e disquei o número da detetive. — Korine… — minha voz saiu pesada, carregada de ansiedade. — Eu não aguento mais esperar. Preciso saber o que está acontecendo com Karla. Você já descobriu alguma coisa? Do outro lado da linha, o silêncio inicial foi como uma lâmina. Eu sabia que ela tinha algo para me dizer. E, naquele instante, percebi que a verdade estava prestes a me atingir com toda a força. — Senhor Valek, precisamos conversar pessoalmente — disse ao telefone, firme. — Venha até meu escritório. É algo que não pode ser tratado por ligação. Pouco tempo depois, Leonardo chegou. O semblante carregado de ansiedade denunciava que ele já esperava o pior. Pedi que se sentasse e respirei fundo antes de começar. — O que descobri não é fácil de ouvir. Mas é a verdade. Leonardo me encarou, os olhos fixos, como quem se prepara para um golpe. — Diga, Korine. Eu preciso saber. Abri a pasta sobre a mesa e comecei: — Sua esposa mantém um relacionamento há dois meses. Tenho registros de mensagens, ligações e encontros. Mostrei as fotos: Karla e o homem juntos no restaurante, o beijo, os olhares cúmplices. Em seguida, os áudios e vídeos gravados no motel. Leonardo ficou imóvel, o rosto endurecido. Mas quando reproduzi o trecho em que o homem dizia “Karla é minha esposa”, percebi que algo nele se quebrou. — Não… — murmurou, a voz embargada. — Eu conheço esse homem. Olhei para ele, esperando a revelação. — Ele é meu meio-irmão — disse, com amargura. — Filho do meu pai, de outro casamento. Nós nos detestamos desde sempre. Ele sempre quis destruir tudo o que eu construí, sempre invejou minha posição. Leonardo se levantou, caminhando pelo escritório como um animal enjaulado. — E agora… ele conseguiu. Não apenas me feriu, mas tomou o que eu mais amava. O silêncio que se seguiu foi pesado. A verdade não era apenas uma traição conjugal, mas uma guerra familiar que agora vinha à tona com força devastadora.






