Mundo de ficçãoIniciar sessãoCapítulo 3
Korine Mille Leonardo estava desolado. Andava de um lado para o outro pelo meu escritório, como se buscasse uma saída para a dor que o consumia. Seus passos eram pesados, e o silêncio entre nós só tornava mais evidente o sofrimento estampado em seu rosto. A cada instante, ficava mais nítido o quanto aquela revelação o havia abalado. O homem forte, seguro e imponente que todos conheciam agora parecia frágil, quebrado por dentro. Mantive minha postura profissional. Respirei fundo e, com calma, perguntei: — Senhor Valek, gostaria de conversar com uma psicóloga? Talvez possa ajudá-lo a lidar com esse peso. Ele parou, me encarou por alguns segundos e balançou a cabeça. — Não… — respondeu com firmeza, embora a voz estivesse embargada. — Não quero. O silêncio voltou a dominar o ambiente. Eu sabia que, mesmo recusando ajuda, Leonardo precisava de apoio. Mas também compreendia que, naquele momento, a dor era maior do que qualquer palavra de consolo. Leonardo permaneceu em silêncio por alguns instantes, ainda recusando a ideia de conversar com uma psicóloga. Seus olhos estavam vermelhos, e a dor era evidente. Ele se levantou novamente, andando de um lado para o outro pelo meu escritório, como se buscasse uma saída para o turbilhão que o consumia. — Eu já conhecia aquele homem… — disse, finalmente, com a voz carregada de rancor. — Ele é meu meio-irmão. Desde sempre nos detestamos. Ele nunca suportou ver o que eu conquistei, sempre me olhou com inveja. A revelação pesava no ar. Eu sabia que, para Leonardo, não era apenas uma traição conjugal. Era uma ferida antiga, reaberta de forma cruel. — E agora… — continuou, apertando os punhos — ele conseguiu me atingir onde mais dói. Não bastava me odiar, precisava tomar a mulher que eu amava. Mantive a calma, observando cada gesto. Como profissional, meu papel era dar clareza, não me envolver emocionalmente. — Senhor Valek — falei com firmeza —, você precisa decidir como vai lidar com isso. Tenho todas as provas necessárias: fotos, áudios, vídeos. Mas o próximo passo depende de você. Leonardo parou diante da mesa, respirando fundo. O silêncio foi quebrado apenas pelo som da sua respiração pesada. — Eu vou enfrentar os dois — disse, com voz firme, mas carregada de dor. — Karla e meu irmão. Eles não vão escapar da verdade. Leonardo se levantou de repente, pegou o celular e fez uma ligação rápida. Poucos minutos depois, seu advogado chegou ao meu escritório. O clima era pesado, quase sufocante. Com calma, organizei os documentos e mostrei tudo: os vídeos, as fotos e os áudios que comprovavam a infidelidade de Karla. Leonardo observava cada detalhe com o semblante endurecido, enquanto o advogado tomava notas em silêncio. — Quando me casei com Karla — disse Leonardo, a voz firme, mas carregada de dor — estabelecemos um acordo: separação parcial e total de bens. Se houvesse infidelidade de qualquer lado, o traidor perderia tudo. Ele fez uma pausa, respirou fundo e concluiu: — Ela me traiu. Então, ela perde tudo. O advogado assentiu e, sem demora, começou a providenciar os documentos necessários para o divórcio. Leonardo não hesitou em dar as instruções, como se cada palavra fosse um golpe para encerrar de vez aquela história. Já passava da meia-noite quando encerramos a reunião. Leonardo e o advogado se levantaram, prontos para voltar para casa. O silêncio que pairava sobre nós era o reflexo da devastação, mas também da decisão irrevogável que havia sido tomada. Leonardo Valek Após sair do escritório da detetive, deixei meu advogado encarregado de organizar todos os documentos e papéis do divórcio. Ele seguiu para seu apartamento, enquanto eu fui direto para minha cobertura. Assim que abri a porta, lá estava Karla. Sentada no sofá, com a maior expressão de normalidade, como se nada tivesse acontecido. Ao me ver, ela fechou a cara, levantou-se e veio em minha direção. — Onde você estava? Com quem? O que estava fazendo? — disparou, a voz carregada de acusação. A ironia da situação me fez soltar uma risada amarga, debochada. Sem dizer nada, abri minha mala e joguei sobre a mesa as fotos dela com meu meio-irmão, junto dos papéis do divórcio. O impacto foi imediato. Karla ficou pálida, os olhos arregalados, a boca tremendo. Começou a gaguejar, tentando se justificar: — Isso… isso não sou eu… essas fotos foram feitas com inteligência artificial… não é verdade… Olhei para ela com desprezo, cada palavra dela soando como mais uma mentira. — Traidora… cínica! — gritei, a voz carregada de rancor. O silêncio que se seguiu foi pesado. Karla estava diante da verdade, sem saída, enquanto eu já havia decidido: aquele casamento havia terminado, e ela perderia tudo. Karla ficou pálida diante das fotos e dos áudios. A cada prova que eu mostrava, sua expressão se tornava mais desesperada. — Isso não sou eu… — gaguejou, tentando manter a compostura. — Essas imagens foram manipuladas… alguém usou inteligência artificial para me incriminar… você precisa acreditar em mim, Leonardo! Soltei uma risada amarga, sem qualquer traço de piedade. — Chega, Karla. Não adianta inventar desculpas. Eu tenho provas demais. Vídeos, áudios, fotos. Você foi pega. Ela se aproximou, os olhos marejados, tentando tocar meu braço. — Eu te amo… não deixa que isso nos destrua… — implorou, a voz trêmula. Afastei-me com firmeza e joguei sobre a mesa os documentos que meu advogado havia preparado. — Já está feito. Os papéis do divórcio estão prontos. Você sabia do acordo: em caso de infidelidade, o traidor perde tudo. E agora, Karla, você perdeu. O silêncio que se seguiu foi sufocante. Ela olhou para os documentos, depois para mim, como se buscasse uma última chance. Mas eu já estava decidido. — Você me traiu com o meu próprio irmão. Não há volta. — Minha voz saiu fria, definitiva. — Assine. Karla desabou no sofá, chorando, enquanto eu permanecia de pé, firme, com os papéis em mãos. A decisão estava tomada, e nada poderia mudar o rumo daquela noite. Karla tremia ao segurar a caneta. As lágrimas escorriam pelo rosto enquanto seus olhos percorriam as linhas do documento. Cada palavra era como uma sentença definitiva. Com mãos trêmulas, assinou os papéis do divórcio, sabendo que naquele instante tudo o que possuía estava perdido. Sem dizer nada, levantou-se e correu para o quarto, começando a arrumar as malas às pressas. O som dos zíperes e das gavetas batendo ecoava pela cobertura, misturado ao choro desesperado. Eu, sentado no sofá, observava em silêncio. O semblante frio, impenetrável. Quando ela voltou com as malas, dei uma ordem seca ao mordomo: — Leve tudo para fora. Antes que ela pudesse sair, estendi a mão. — As chaves do carro. Os cartões de crédito. Todas as joias, inclusive a aliança. O celular. — minha voz era firme, sem espaço para contestação. Karla, em prantos, entregou cada item, um a um, como quem se despede de sua própria vida. Não havia piedade em meu olhar. O acordo era claro: quem traísse perderia tudo. Ela saiu pela rua empurrando as malas, chorando alto, sem rumo. A noite estava pesada, e o som de suas lágrimas se misturavam ao silêncio da cidade. Foi então que um carro preto parou diante dela. A porta se abriu lentamente. Era Alex Valek. Seu amante.






