Mundo ficciónIniciar sesiónFaltando dez minutos para as oito, Ivy e eu pagamos a conta e seguimos para a empresa, deixando Maya na companhia de Luna.
Corremos até o setor de TI em busca de alguma novidade, mas Elliot estava debruçado sobre a mesa, dormindo profundamente. — Nada — disse ele ao ser acordado por Ivy. — Vão ter que esperar até a reunião. — E meu celular? — perguntei, já agoniada sem o aparelho. — Sinto muito. Vai precisar esperar até depois da reunião. Nem comecei a configurá-lo ainda. Eu estava pronta para xingá-lo, mas Ivy me puxou pelo braço. Ela estava desesperada, claramente apavorada com a ideia do novo chefe. Perto do elevador, ela parou para ler uma mensagem no celular. — É o Leon — disse, fazendo uma careta. — Mandou preparar a sala de reuniões. Disse também como o novo CEO gosta do café: extra forte, puro e sem açúcar. Meu Deus… quem toma café assim só pode ser muito amargo. Concordei com ela. Cheguei a sentir um arrepio. Por um breve instante, a imagem dele passou pela minha mente. Bobagem. Ivy seguiu para a copa preparar os cafés, e eu fui para minha sala. Ainda faltava uma hora e meia para a reunião. Não iria fritar minha cabeça. Durante os minutos seguintes, concentrei-me apenas no trabalho. Quando faltavam quinze minutos para a reunião, subi para o último andar, onde ficavam o escritório do CEO e a sala de reuniões. Ao chegar, tive a surpresa — ou talvez não — de ver Maya sentada ali. — Como conseguiu entrar? — perguntei, sentando-me ao seu lado. Elliot ajustava o projetor, enquanto Ivy organizava os cafés na mesa onde ficariam Arthur Sterling, Leon Hart e o novo CEO. Nas cadeiras restantes, estavam os responsáveis pelos outros departamentos. — Disse que aceitaria fazer uma publi para a empresa, desde que pudesse conhecer o novo chefe — Maya respondeu, e me perguntei por que ainda me surpreendia. Elliot sentou-se do meu outro lado. Ele e Maya mexiam nos celulares, enquanto eu me corroía de ansiedade. — Ai, minha nossa… — exclamou Maya, encarando a tela. — Caralho — murmurou Elliot, igualmente surpreso. — O que foi? — perguntei, impaciente. — O Leon adicionou alguém no grupo de amigos — Maya disse lentamente. Eu estava prestes a arrancar o celular da mão de Maya quando a porta da sala de reuniões se abriu. Primeiro entrou Arthur Sterling, com sua postura firme e segura. Logo atrás, Leon Hart, sorrindo com naturalidade, alheio ao que estava prestes a acontecer. Então o terceiro homem cruzou a porta. E tudo dentro de mim parou. O ar pareceu rarear. O som ao meu redor se dissolveu em um zumbido distante. Meu coração perdeu o ritmo — como se tivesse esquecido, por um segundo, como bater. — Ele adicionou… Adrian Blackwood — a voz de Maya chegou até mim como um eco distante. Mas eu já não a escutava. Porque ele estava ali. Os mesmos cabelos negros, perfeitamente alinhados. Os mesmos olhos escuros, profundos, perigosos — olhos que eu conhecia melhor do que deveria. Olhos que já me despiram, me prometeram coisas que nunca cumpriram… e agora me encaravam como se jamais tivessem me esquecido. Meu corpo reagiu antes da minha mente. O estômago revirou. A garganta fechou. As mãos ficaram frias. Era ele. Meu ex-namorado. O homem que eu fingira apagar da memória. A mentira que sustentei por anos… agora em pé, a poucos metros de mim. — Bom dia — disse Leon, quebrando o silêncio. Todos responderam em coro. Eu não consegui. No instante em que os olhos de Adrian encontraram os meus, senti o ar abandonar meus pulmões. O olhar dele era lento. Calculado. Como se estivesse me observando por dentro. — Quero apresentar a vocês — continuou Leon, sem perceber o terremoto que causava —, mesmo que alguns já o conheçam pessoalmente ou apenas de nome. Adrian Blackwood, o novo CEO da NovaCore… e um grande amigo meu. O silêncio que se seguiu foi pesado. Adrian manteve o olhar em mim por um segundo a mais do que deveria. Um segundo longo demais. Doloroso demais. Então, finalmente, desviou — de forma lenta, tortuosa — como quem escolhe exatamente quando permitir que o outro volte a respirar. — Tenho certeza de que muitos aqui se lembram de mim, Leon — disse ele. Sua voz era baixa. Rouca. Carregada de algo que fez minha espinha arrepiar. Eu tinha certeza absoluta de que aquelas palavras não eram para a sala. E sim para mim. — Bom dia. Naquele instante, soube: Eu não estava preparada. Para ele. Para o passado. Ou para o que Adrian Blackwood tinha voltado para cobrar. Com toda certeza, eu precisaria marcar uma consulta com Karin - minha psicóloga - assim que saísse dali.






