O ceo misterioso

— Então o Arthur Sterling realmente contratou um CEO?! — Maya Bloom perguntou, enquanto terminava de alongar os braços.

— Depois que Leon Hart decidiu deixar a empresa para seguir a carreira política, ele não quis perder mais tempo preparando um substituto. Ainda mais agora que está louco para se aposentar e começar a carreira de escritor — respondi, sem disfarçar minha aflição.

Leon era meu melhor amigo e também meu chefe na empresa. Teria assumido como CEO se não tivesse se interessado por política.

Estávamos no parque onde costumávamos correr todas as manhãs, aproveitando o horário em que ainda se encontrava vazio.

— Você sabe algo sobre ele? Nome, ao menos? — perguntou ela, curiosa. — Eu queria tanto voltar a trabalhar na NovaCore, só para conhecer o novo chefe.

— Nada. Nem Elliot Kane conseguiu alguma informação invadindo os arquivos do RH. Parece segredo de Estado. Ou então não querem que descubramos que nosso chefe é um grande carrasco.

Elliot era o gênio do TI, e não havia nada naquela empresa que ele não soubesse.

— Boa sorte, amiga — Maya disse antes de começar a correr, mas demorei para alcançá-la.

Ela acompanhou meu ritmo apenas até a primeira volta. Depois desistiu e se sentou na grama, fazendo fotos e gravando reels.

Enganando seus seguidores iludidos, como fazia todas as manhãs.

Maya havia largado a carreira no marketing para se tornar influenciadora, algo que deu certo — não demorou a alcançar milhões de seguidores.

Mas, exatamente como agora, metade do que postava era mentira.

Desde o acidente no ensino médio, praticar corrida se tornou uma forma de recuperar meu condicionamento físico.

Por causa das lesões, precisei ficar de repouso e abandonar os esportes mais intensos. Porém, assim que fui liberada pela doutora Helena Moore, voltei a praticar.

Foi na faculdade que me apaixonei de vez pela corrida.

Agora, com minha carreira estável, decidi treinar para competir nos 10 km de Serra Nova. Estava determinada a ganhar.

Leon costumava treinar comigo todas as manhãs. Seu objetivo era conquistar os votos da galera do esporte — mas, para isso, precisava convencer na prática.

Hoje, porém, resolveu faltar.

Quando terminei a última volta, fui até Maya e sentei ao seu lado na grama, tentando recuperar o fôlego.

— Leon mandou uma mensagem — ela disse, tão estranhada quanto eu. — Avisou que todo mundo tem que ir hoje à noite ao Becker Bar, na casa do Theo.

— Hoje? Segunda-feira? Tem algo especial? — perguntei. Eu estava sem meu celular pessoal desde o dia anterior, quando precisei deixá-lo com Elliot para configurar a segurança e a privacidade. Como diretora comercial, precisava manter meu aparelho sempre protegido contra hackers.

— Não disse nada. Só avisou que ninguém pode faltar — deu de ombros, guardando o celular. — Vamos passar no Luna Café?

— Não fico sem meu café e meu bolo de banana com amêndoas — respondi, acompanhando-a ao se levantar.

O Luna Café era a cafeteria mais charmosa de Serra Nova, com os bolos mais deliciosos da cidade. Ficava em frente à NovaCore e, desde que abriu, passou a fazer parte da minha rotina.

Passei em casa para tomar um banho rápido e vestir meu terninho, deixando para trás a imagem de esportista e assumindo a da diretora comercial da maior empresa de tecnologia, acessórios automotivos e energia sustentável do país.

Eu estava na empresa havia três anos. Antes disso, trabalhava na maior concorrente, a TecPlay. Mas, depois de muita insistência do meu amigo Leon Hart — e, claro, da proposta irrecusável do cargo de diretora — deixei a TecPlay e comecei na NovaCore.

Leon era afilhado de Arthur Sterling, o fundador da empresa, e desde a adolescência tinha o futuro praticamente garantido ali.

Ainda na faculdade, Arthur me ofereceu um estágio no setor comercial, mas preferi disputar uma vaga na TecPlay. No entanto, não demorou para eu perceber que o meu lugar sempre foi na NovaCore.

Estacionei meu carro na minha vaga na empresa e, junto de Maya Bloom, atravessei a rua. Na porta do Luna Café, Ivy Collins aguardava nossa chegada.

— Demoraram! — reclamou ela, já entrando no local. — Mandei mensagens para você.

— Meu celular está com o Elliot Kane — expliquei, sentando-me à nossa mesa de sempre.

— O Leon disse alguma coisa? — perguntou Ivy, e senti a angústia em sua voz.

— Não. Ele nem foi correr hoje — respondi, percebendo seu olhar apreensivo.

— Quanto mistério, meu Deus… — ela murmurou.

— Relaxa, Ivy. Vamos pensar positivo — tentei animá-la. — Ele pode ser um amorzinho. Afinal, o Leon não nos deixaria nas mãos de alguém tão diferente dele, né?

— Você só fala isso porque não vai trabalhar diretamente com ele — Ivy abaixou a cabeça, quase chorando. — Estou quase pedindo para mudar de cargo… talvez para a recepção.

— Você é a assistente executiva da presidência — Maya argumentou, indignada. — Arthur confia a empresa a você.

— Se confiasse tanto assim, eu saberia quem será o meu novo chefe — rebateu Ivy, fazendo Maya revirar os olhos.

— Consegue um crachá pra mim? Assim descubro tudo antes da reunião.

— Chega — interrompi, já cansada daquela tensão. — Tenho certeza de que ele é um homem muito agradável e gentil. Agora vamos pedir nosso café.

Falei ao ver Luna se aproximar. Mesmo sendo a proprietária, ela nunca deixava de nos atender.

— Bom dia, Luna.

Ela sorriu, com aquele sorriso sempre doce.

— Bom dia — respondeu, lançando um olhar rápido em direção à entrada. — O Leon não vem hoje?

Havia um quê de tristeza em sua voz. Eu sabia que um dos motivos de Luna sair de seu escritório para nos atender era a esperança de ver meu amigo distraído. O interesse dela era evidente — mas Leon nunca percebia.

Uma vez, comparou o sorriso dela ao de uma modelo de comercial de margarina. Em outra, perguntou se ela poderia preparar um bolo de aniversário para a ficante da época.

E sempre que eu dizia, de forma direta, que ela gostava dele, Leon insistia que era coisa da minha cabeça “desmemoriada”.

Mas aquele brilho nos olhos dela não me enganava.

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