Mundo de ficçãoIniciar sessãoO olhar dele se prende ao meu com uma força que parece atravessar minha pele e tocar diretamente o que pulsa dentro de mim. Meu coração dispara, tão acelerado que tenho a impressão de que ele quer arrebentar as grades do meu peito e saltar para fora, como se buscasse o mesmo ar que ele respira. Ele caminha em minha direção e eu sinto minhas pernas vacilarem, uma fraqueza súbita se espalha pelas juntas, me deixando refém do momento. Ainda assim, não tento fugir. Não quero. Me sinto ancorada, enraizada, e quando ele se aproxima o bastante, giro o corpo por instinto, obrigando-me a encará-lo mais uma vez, como se essa proximidade fosse inevitável, como se estivéssemos presos a um campo gravitacional que só existe entre nós. A cozinha, com sua luz baixa e tímida, parece conspirar para que esse instante exista.







