ROBERTO WHITMORE LIVRE
O sol de duas da tarde fritava o teto do carro.
Desliguei o ar-condicionado e abri a porta. O calor seco bateu na cara.
Fiquei encostada na lataria, olhando pra porta de vidro automática da ala de alta complexidade do hospital.
Esperando.
A porta abriu.
Meu pai saiu.
Ele vinha devagar, empurrado numa cadeira de rodas por um enfermeiro — protocolo de alta. Segurava uma sacola fina de plástico no colo.
Ele tava magro. O cabelo mais branco nas laterais. O mol