O QUE FICOU NO AR
A tarde tava daquele calor paulistano sem vergonha — úmido, grudando na pele, asfalto fedendo a borracha queimada, umidade deixando tudo mais sufocante, qualquer lugar fechado virando prisão. Fui pra piscina porque era o único canto da mansão sem peso de briga ou papo furado. Só água, cloro e as folhas molhadas grudada nas bordas de concreto.
Nadei uns quarenta minutos em linha reta — ida e volta, ida e volta — cabeça vazia, que era o que eu precisava depois de 48 horas de