Lizandra
Minhas mãos começaram a suar, e instintivamente dei um passo para trás, aproximando-me da Lia sem perceber. Fernando, ao meu lado, não notou a minha aflição.
— Com licença, Lucas — o homem disse com a voz firme, profissional demais. — Preciso falar com você depois sobre aquele paciente.
Lucas assentiu alheio.
— Claro, doutor Daniel. Já estou terminando aqui.
Doutor Daniel. Agora eu tinha um nome. E isso só tornava tudo pior.
Antes de sair, ele voltou o rosto levemente na minha direção. Foi praticamente imperceptível para Fernando e Lucas que não tinham a mínima ideia do horror que a presença daquele homem me causava. O olhar afiado dele, dizia que ele não tinha esquecido e que também não iria deixar passar.
— Liz? — Lucas me chamou com suavidade. — Está tudo bem?
Levantei a cabeça e forcei um sorriso, ignorando a presença do homem.
— Está… claro. Só um pouco de calor. — falei fingindo estar bem.
Fernando me olhou atento demais. Seus olhos me examinavam com certa preocupação.