Fernando
Fiquei em pé diante da janela panorâmica do meu escritório, observando a movimentação lá embaixo como se fosse um filme distante. A cidade seguia num ritmo frenético. Meus olhos estavam focados na vista, mas minha mente estava em outro lugar.
Na noite anterior, em Lizandra.
Um sorriso involuntário surgiu nos meus lábios ao lembrar dela em meus braços, da forma como seu corpo se encaixou no meu. Passei tanto tempo me privando de tocar uma mulher, me escondendo atrás do luto e das responsabilidades, que quase esqueci como era me sentir vivo daquele jeito. Com ela tudo foi intenso e verdadeiro.
E o mais inquietante não era o desejo, era perceber que eu gostava da companhia dela de um jeito diferente. Não era só atração física, não era carência. Percebi durante meu afastamento o quanto eu gostava de conversar com ela, de ouvi-lá falar com a Lia ou de simplesmente vê-la circulando pela casa participando da minha rotina.
“Será que estou apaixonado?”
“Não seria muito cedo?”
Pense